Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando se mobiliza com o problema do outro. No entanto quando se observam as causas da gravidez na adolescência, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de educação sexual, seja pela dificuldade de acesso aos contraceptivos. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente da sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de políticas públicas focadas na orientação sobre a sexualidade rompe essa harmonia, haja vista a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEDAE) afirma que em São Paulo, no ano 2014, de todas mulheres grávidas 14,5% tinham menos de 19 anos. Outrossim, destaca-se o difícil acesso aos contraceptivos como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que bons exemplos inseridos na sociedade difundindo informações sobre sexualidade e métodos contraceptivos, devem tornar assunto mais debatido e desconstruindo o tabu a respeito do tema.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, aulas obrigatórias sobre sexualidade além de palestras regulares com especialistas da área, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não vida a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.