Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/08/2018

A juventude é uma fase de escolhas que podem ter influência determinante no presente e no futuro de cada pessoa, seja levando ao pleno desenvolvimento pessoal, social e econômico, seja criando obstáculos à realização destas metas. Decisões voluntárias e conscientes relacionadas ao exercício da sexualidade e a vida reprodutiva são particularmente importantes nessa etapa da vida para evitar problemas como uma gravidez indesejada. A partir desse contexto é válido observar alguns motivos desse problema estar cada vez mais em evidência no Brasil.

Segundo o relatório lançado pela Organização Mundial da Saúde, a taxa de natalidade de adolescentes no país pode ser considerada alta, sendo observado um viés de renda, raça e escolaridade significativo na prevalência desse tipo de gravidez. São muitos os casos de jovens que engravidam indesejadamente, geralmente a maioria são meninas pobres, negras ou indígenas e com menor escolaridade. Sendo assim, essas garotas têm os seus projetos de vida alterados, o que pode contribuir para o abandono escolar e a perpetuação dos ciclos de pobreza, desigualdade e exclusão.       Além disso, a gestação precoce é um problema de saúde pública, uma vez que causa riscos à saúde da mãe e do bebê. A mulher que passa pela experiência de gerar um filho na adolescência fica emocionalmente abalada, principalmente nos casos em que não existe apoio familiar ou quando há rejeição por parte do pai da criança. Ademais, pode apresentar sérios problemas durante a gravidez como, aborto natural, síndrome hellp, eclâmpsia, risco de ruptura do colo do útero e depressão pós-parto. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o risco de morte materna duplica quando se trata de adolescentes com menos de 15 anos em países com regiões baixa e média renda, como o Brasil.

Para romper esse ciclo e assegurar que essas jovens alcancem seu pleno potencial, é preciso que o Ministério da Saúde assegure o acesso a preservativos e contraceptivos e, juntamente com o Ministério da Educação, através do Programa de Saúde na Escola (PSE), garantam o acesso à informação com linguagem adequada sobre sexualidade, saúde sexual e reprodutiva. Além disso, é importante o apoio do Governo a programas multissetoriais de prevenção dirigidos a grupos em situação de maior vulnerabilidade. É necessário desconstruir mitos, expor situações reais, informar e orientar os adolescentes para que eles tenham consciência de suas escolhas e não caiam na “armadilha” de uma gravidez precoce.