Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 06/09/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas para a prevenção da gravidez na adolescência no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental e familiar, bem como a necessidade de uma conjunta do governo com o corpo social para solucionar o impasse.

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a baixa veiculação de informações acerca dos meios de prevenção da gravidez, propiciado principalmente pelas instituições de ensino, rompe essa harmonia, haja vista que as escolas mais informam sobre as doenças sexualmente transmitidas do que sobre como prevenir a gravidez, ou sobre o acesso aos métodos contraceptivos.

Outrossim, os pais são agentes que corroboram para a problemática, por causa da falta de diálogo com seus filhos. Isso pode ser justificado pelo conceito de “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa maneira, os progenitores, ao estarem imersos nesse panaroma líquido, acabam por perpetuar a exclusão informacional dos progênitos, por meio da escassez de conversas sobre temas considerados polêmicos, como sexo e gravidez juvenil, fazendo com que as taxas de fertilidade entre adolescentes continuem altas —  segundo dados da OMS, são 68,4 nascimentos para cada 1 mil meninas de 15 a 19 anos.

Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperem para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas aulas e palestras, ministradas por professores e profissionais da saúde, que expliquem às alunas os meios de prevenção da gravidez e os riscos da gestação precoce, além de divulgar a disponibilidade de anticoncepcionais no sistema público de saúde, a fim de que se reduza o número casos. Ademais, o Ministério das Comunicações deve veicular propagandas de cunho educativo, por meio da mídia, que incentivem o diálogo familiar, sem estigmas, sobre sexo e gravidez, para que se extermine o individualismo nas famílias. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.