Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/08/2018
Realidade de Locke: educar para prevenir.
O filme “Juno” relata a história de uma adolescente que engravida do melhor amigo. A trama se desenrola em meio aos problemas e questionamentos da jovem diante da gravidez indesejada. Fora da ficção, a gravidez na adolescência é uma questão que está em evidência no Brasil. Desse modo, infelizmente, muitos jovens iniciam a vida sexual sem tomar medidas preventivas contra doenças e natalidade, fato que acaba perpetuando o índice alarmante de casos de gravidezes precoces no país. Nesse contexto, deve-se analisar a questão da educação familiar e da mídia.
Primeiramente, cabe pontuar que a educação familiar serve de base para o jovem e a deficiência da mesma influi no problema da gravidez na adolescência. O assunto do ato sexual ainda é um tabu entre muitas famílias, o que dificulta o diálogo sobre o tema. Por conseguinte, os jovens acabam vivenciando e sendo influenciados por questões sexuais, sem o auxílio dos pais. John Locke, afirma que o homem é como uma tábula rasa que é preenchida por experiências e influências, sendo assim, o adolescente sem as instruções adequadas acaba vulnerável a situações como a gravidez precoce.
Em segunda análise, convém frisar que a mídia exerce grande influência no comportamento dos jovens e acaba estimulando o sexo juvenil. Em muitas obras midiáticas é possível observar a questão do hedonismo, uma corrente filosófica que prega o prazer momentâneo. Cenas de sexo são cada vez mais comuns em canais abertos e horários acessíveis ao público juvenil. O problema é que muitas cenas apenas instigam o desejo carnal, mas não ensinam sobre os riscos e a forma de preveni-los, o que pode acabar culminando nos casos de gravidez. Nesse aspecto, Theodor Adorno acusa a indústria cultural de manipular e instigar desejos na mente da sociedade.
À vista disso, medidas devem ser tomadas para atenuar os casos de gravidezes na adolescência. É imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, implementem programações sobre sexo seguro nas escolas, onde ocorram trabalhos e palestras disponíveis para alunos e pais de alunos. Outrossim, o Estado deve disponibilizar ginecologistas nesses eventos, para que consultas sejam realizadas e métodos contraceptivos sejam incentivados. Também é importante que exista uma autorregulação da mídia, com auxílio do Ministério da Comunicação, em relação as obras que abordem temas sexuais, implementando um modo eficiente e seguro para tratar o assunto, citando sempre os riscos e formas de prevenção. Desse modo, o Brasil contará com uma juventude informada, preenchida por experiências e influências seguras e adequadas.