Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/08/2018
A Constituição Cidadã de 1988 estabelece como dever do Estado assegurar ao adolescente o direito à dignidade, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a falta de acesso a educação e serviços de saúde, como prevenção à gravidez nas escolas, orientação sobre métodos contraceptivos e a distribuição de camisinhas em postos de saúde, não estão presentes em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar as questões relacionadas ao sexo ainda como um tabu- segundo dados do Ministério da Saúde, a falta de diálogo com os filhos sobre questões ligadas à sexualidade tem contribuído para que muitos adolescentes tenham uma vida sexual ativa mais cedo e, em consequência da desinformação, são cada vez mais os casos de gravidez e casamento precoce-, por causa da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em vista disso, os desafios para a redução do número de jovens gestantes estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Para isso, é importante que o Ministério da Saúde, em parceria com a docência das escolas de nível fundamental e médio, proponha o aumento e a reformulação dos projetos de educação sexual instaurados nas instituições de ensino, por meio da inclusão em seu repertório da importância da contracepção, o modo correto de utilizar e como consegui-los, além de proporcionar aulas periódicas abrangendo temáticas relacionadas, objetivando reduzir os números elevados de jovens grávidas no país e garantir que todos os brasileiros em desenvolvimento tenham ciência da contracepção humana. Somado a isso, a família deverá com mais frequência ter um diálogo aberto com seus filhos, visando informá-los sobre a importância do uso de preservativos para a saúde e prevenção de uma possível gravidez, com o intuito de quebrar o tabu social existente. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.