Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/07/2018
O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, afirmava que a segurança e a liberdade são dois fatores essenciais para uma vida satisfatoriamente feliz. Ora, a ideia do pensador, infelizmente, opõe-se a trágica realidade da gravidez na adolescência, experimentada por diversas jovens no Brasil. Sendo assim, apesar da redução de episódios no país desde os anos 90, os casos que ainda persistem na atualidade continuam roubando das adolescentes a perspectiva de um futuro melhor. Dessa forma, faz-se necessário existir, nas famílias e no governo, uma postura proativa que vise sanar os males oriundos da referida problemática.
Em primeiro lugar, a ideia da gravidez na adolescência, no Brasil, deve ser percebida como uma realidade interrelacionada ao fenômeno da hiperssexualização presente na cultura brasileira. Isto é, existem para os jovens nativos um conjunto diversificado de elementos erótico emotivos que permeiam os vetores de propagação da cultura popular. Por exemplo, músicas, filmes, livros, etc., são formulados de modo a lançar um arquétipo distinto do que a educação sexual veiculada nas escolas e nas famílias apregoa. Por conseguinte, o ideal de uma atitude impulsiva e desnecessariamente libidinosa se acopla à mentalidade dos adolescentes, favorecendo assim, ocorrências de gravidez indesejada. Como resultado, as consequências advindas são, perda da qualidade de vida, diminuição das chances de capacitação profissional em idade regular, formação de famílias fragmentadas e tendência à pobreza.
Em segundo lugar, o insuficiente envolvimento das famílias com a educação sexual dos jovens, ampliam as chances de uma gravidez na adolescência. Segundo um estudo da Bayer em parceria com a Unifesp, 41% dos jovens não conversam sobre sexualidade com os pais. Outrossim, a razão que evidência tal ausência é o tabu mesmo acerca da discussão sobre o sexo; por existir a errônea crença de que tal conversação desperte, nos adolescentes, o interesse pelo início da vida sexual. Por consequência, não sendo passado desde o seio familiar a formação afetiva relacionada a sexualidade, os mesmos perdem-se numa miríade de informações, por vezes contraditórias, sobre o sexo; o que ocasiona o acontecimento das praticas que levam a uma gestação não planejada.
Portanto, diante dos problemas elucidados, cabe, ao governo, através do ministério da saúde, a formulação de um plano nacional de combate a gestação não planejada, que inclua assistência à gestante e às famílias, bem como, uma maior regulação da exposição de menores a conteúdos sexuais. As famílias, cabe o apoio ao desenvolvimento de uma visão equilibrada sobre o sexo, onde prevaleça a liberdade e o respeito pelo outro. Nesse sentido, será possível criar uma juventude responsável e prospera, que não tenha o futuro roubado por irresponsabilidades de um momento.