Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/07/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”, o famoso verso de Carlos Drummond de Andrade trata-se de uma metáfora para desafios. Análoga a essa citação poética, é evidente que há uma pedra no caminho do Brasil: gravidez precoce na adolescência. Dessa forma, faz-se necessário discutir os principais motivos dessa problemática e, também, seus efeitos no cotidiano dos jovens.

A princípio, a Constituição brasileira promulgada em 1988 prevê que é responsabilidade do poder público garantir os direitos sociais- a educação- a todos, em que deve apresentar uma boa qualidade, visando ensinar por completo o conhecimento geral. Entretanto, observa-se que essa afirmação não é concretizada, pois a escola é superficial no que tange o assunto sexo, de modo a mostrar, somente, as doenças causadas pela falta de prevenção deste e, assim, negligencia um outro fator que é como evitar a gravidez precoce. Com isso, é inadmissível a ausência do método de como previni-la, pois é um grande empecilho para resolução desse problema.

Além disso, uma maternidade não planejada e, ainda, na fase da adolescência pode trazer efeitos para a vida “dos grávidos”. Nesse sentido, as consequências são: físicas e emocionais para as meninas, como aborto espontâneo, complicações no parto, risco de depressão e problemas afeitos com o bebê; e, também, para ambos têm-se os enfrentamentos socioeconômicos, como dificuldade em encontrar emprego, abandono dos estudos- contribuindo para o crescente índice de evasão escolar- e, por fim, sofrem rejeição pela sociedade, o que corrobora a ideia do filósofo Nietzch na “teoria do diferente”, relatando que o indivíduo que não segue o padrão- gravidez só depois do casamento- imposto pela sociedade é considerado uma “anomalia social”. Por conseguinte, infelizmente, esse cenário persiste na nossa sociedade, dificultando a vida dos jovens.

Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para reverter esse quadro. Segundo o Padre Antônio Vieira, “A educação é moeda de ouro. Em toda parte tem valor”. Para remediar esse paradigma, o Ministério da Educação deve acrescentar ao currículo escolar- na área de biologia- a disciplina de prevenção da gravidez, com a presença de médicos, de modo que duas vezes na semana alunos adquirem esse conhecimento, com a finalidade de diminuir o crescimento deste. Ademais, o Ministério da Comunicação por meio da mídia- redes sociais- deve disseminar campanhas de orientação a respeito do assunto, para que essa medida não fique reservada somente no Dia Mundial de Prevenção de Gravidez- 26 de setembro-. Somente assim, tirando as pedras do caminho, construi-se-á um Brasil melhor a cada dia e com a aplicabilidade da Constituição de 88.