Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/08/2018
A gravidez na adolescência e seus riscos já fora retratada pelo escritor Gabriel Garcia Marques, na obra “Cem Anos de Solidão”. No Brasil, desde a colonização, a Igreja Católica impõe certos dogmas, o que dificulta a discussão sobre o assunto. Em decorrência de uma herança histórica e cultural, a falta de informação e as desigualdades sociais influenciam diretamente essa realidade brasileira.
Em primeiro lugar, a falta de diálogo e de informação acerca do assunto entre as instituições educadoras e os jovens constitui fator preponderante para o elevado índice de gravidez na adolescência no país. Desse modo, a sexualidade ainda se constitui um tabu no Brasil, cuja educação sexual proporcionada aos jovens é voltada mais para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis do que para a precaução da gravidez na juventude. Além disso, a questão religiosa é um forte entrave à discussão do assunto. A exemplo disso, tem-se a exposição de artes plásticas sobre sexualidade no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 2017, que foi alvo de críticas da sociedade civil e dos grupos religiosos, por trazer uma arte naturalista. Portanto, fica evidente a necessidade de desmistificar esse assunto e discuti-lo.
Outrossim, apesar do desenvolvimento econômico do país, que foi elevado à economia emergente, as desigualdades sociais são visíveis na sociedade brasileira. Dessa forma, jovens de classe baixa e, principalmente negros são, muitas vezes, marginalizados e se tornam vulneráveis, uma vez que não é proporcionada educação de qualidade para esse grupo. De acordo com dados vinculados às Nações Unidas(2018), a taxa de gravidez na adolescência é quase 30% maior na América Latina do que a taxa mundial, o que corrobora a relação direta entre essa e o desenvolvimento social. Por conseguinte, é preciso garantir a isonomia de direitos aos cidadãos brasileiros para que essa realidade seja modificada aos poucos.
Para atenuar tal realidade, é imprescindível que o Ministério da Educação, integre a instituição escolar à familiar, a fim de orientar os pais sobre o assunto e mediar o diálogo entre eles e seus filhos, por meio de palestras e discussões com uma equipe multidisciplinar composta por pedagogos, sexólogos, psicólogos e assistentes sociais, para que assim, seja possível informar e conscientizar os jovens e suas famílias acerca dos riscos da gravidez na adolescência e as vantagens de postergá-la. Além disso, o Estado, por meio das Secretarias de Educação e de Desenvolvimento deve criar medidas socioeducativas de inclusão dos jovens marginalizados, por meio do esporte e de oficinas extracurriculares, para então, garantir a igualdade de direito e inclui-los na sociedade, além de tornar possível a discussão e o entendimento sobre a gravidez na adolescência.