Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/07/2018

Catalisador social

Em seus estudos, o sociólogo alemão Max Weber defende que o processo de entendimento da realidade social seria possível por meio da compreensão das ações dos indivíduos. Sob essa ótica, os desafios enfrentados com a gravidez na adolescência exigem uma discussão mais ampla, haja vista que a problemática persiste intrinsecamente relacionada à realidade do país, seja pela falta de diálogo da família, seja pela inobservância governamental. Nesse sentido, é conveniente analisar as principais consequências de tal postura negligente para o meio social.

Em primeiro plano, é indubitável que a questão familiar esteja entre as causas do problema. Isso ocorre porque em um contexto pós-Revolução Industrial, dominado pelo capitalismo, os pais, por conta do trabalho excessivo, acabam por comprometer o vital processo de diálogo com os filhos. Nessa perspectiva, a falta de informações adequadas, principalmente sobre gravidez na adolescência, contribui consideravelmente para que os adolescentes se tornem pais cada vez mais cedo, fato que ocasiona consequências significativas para a saúde e vida social desses indivíduos.

Outrossim, destaca-se a negligência governamental como impulsionadora do impasse. Tal fato decorre porque as instituições públicas de ensino, arraigadas a uma mentalidade conservadora, deixam de abordar assuntos como a educação sexual, fundamental para o desenvolvimento seguro dos jovens. Sendo assim, segundo Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Logo, é válido ressaltar que o desconhecimento dos adolescentes acerca de como evitar uma gravidez influi decisivamente para o aumento da taxa de natalidade juvenil.

Diante dos fatos supracitados, torna-se necessária a participação do Estado e da família no problema. Para tanto, os pais devem realizar conversas periódicas com os filhos a fim de informá-los sobre as consequências de uma gravidez precoce, assim como os métodos para evitá-la. Ademais, é imperativo que o Ministério da Educação promova a criação de um programa escolar nacional que inclua a disciplina de educação sexual no currículo escolar dos ensinos médio e fundamental com o intuito de deixar os jovens mais responsáveis e conscientes, bem como diminuir os casos de gravidez na adolescência. Por fim, o Ministério da Saúde pode desenvolver campanhas que promovam a redução da natalidade entre os jovens, por meio da distribuição de preservativos e outros métodos contraceptivos, atuando principalmente em áreas de vulnerabilidade social como favelas e periferias. Assim, a família e o Estado poderão atuar como catalisadores, contribuindo para aumentar a velocidade da reação social de combate à problemática.