Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 23/07/2018

O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura, à mocidade brasileira, o direito à infância livre de maus-tratos e preocupações. Todavia, inúmeras jovens vêm tendo as primeiras páginas de suas biografias arrancadas por conta de seus precoces títulos de mãe. Nesse prisma, é crucial colocarmos uma lupa sobre a questão da gravidez na adolescência, mirando ações afirmativas que visem promover, na prática, dignas juventudes à nova geração canarinha.

Em primeira instância, os fatores socioeconômicos causam impactos diretos na perpetuação dessa mazela. Sob tal perspectiva, Carolina de Jesus - em sua obra “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” - retratou a restrição da educação às crianças de zonas periféricas, fomentando a prematura difusão de valores trabalhistas e, consequentemente, ideais eróticos. Acresce-se o fato de que, como evidenciado por Roberto Cabrini, no programa televisivo “Profissão Repórter”, adolescentes e, até mesmo, crianças  são submetidas à prostituição, haja vista que, muitas vezes, suas famílias não geram rendas suficientes à própria subsistência. Logo, olhares minuciosos, vindos do corpo social, à vida nas margens dos núcleos urbanos são essenciais à preservação da juventude de muitos brasileiros.

Outrossim, consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, a gravidez na adolescência não é, apenas, um entrave hodierno. Nesse viés, durante o Brasil Império, época na qual a expectativa de vida não atingia os quarenta anos, os indivíduos consideravam a gravidez na infância como uma questão normal, já que, para os padrões do período, a adolescência era a fase da vida ideal à gênese do matrimônio. Contudo, décadas se passaram, a expectativa de vida da população aumentou e, ainda assim, precoces casos de gravidez são recorrentes pelo solo tupiniquim, salientando falhas nas aplicações dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.  Por conseguinte, torna-se fundamental a difusão de valores modernos à todas as camadas sociais da nação verde e amarela, visto que a cultura é a arma mais eficiente na asseguração dos direitos da população.

Infere-se, em suma, que medidas cabais devem ser efetivadas à erradicação dos casos de gravidez na adolescência. Destarte, faz-se ponderável que o Ministério da Educação, em face das escolas públicas e privadas, acrescente, na grade curricular nacional, atividades pedagógicas a respeito da importância do sexo seguro, que, além de prevenir gravidezes indesejadas, evita a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. Ademais, o Ministério do Desenvolvimento Social pode investir  em programas governamentais - como o Bolsa Família - que objetivam a total inserção dos jovens nas escolas, proferindo, por meio dos estudantes, a modernização dos valores sociais das comunidades periféricas. Somente sob tais circunstâncias, reduzir-se-ão os índices de gravidez na adolescência.