Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 24/07/2018
Mesmo com a grande circulação de contraceptivos, até mesmo gratuitamente pelo Governo Federal, ainda há muitos fatores como a cultura regional e a falta de acesso à informação que precisam ser driblados. Com isso, percebe-se que o problema em si não se encontra na falta de prevenção, mas sim na falta de entendimento das consequências que a gravidez precoce ocasiona à família toda.
Alguns estados, como o Amazonas e o Rio Grande do Sul, por razões diferentes, possuem uma herança cultural de procriar o mais cedo possível. A herança amazonense é proveniente da necessidade de algumas etnias indígenas locais de aumentar a população tribal. Já no extremo sul do país, a preocupação é em propagar o nome da família, por uma questão de hereditariedade dos migrantes estrangeiros. Nas duas culturas exemplificadas, leva-se em conta apenas um fator cultural, mas sem preocupação com a escolaridade e condições sociais dos pais para promover condições de vida, educação e saúde para seu filho, agravando, em alguns casos, os problemas sociais.
Por outro lado, infelizmente, ainda há muitas cidades, principalmente interioranas, que não têm acesso à internet. Patrícia Cavalcante, psicóloga amazonense, relata um problema frequente entre adolescentes do interior: a gravidez virando “moda” entre garotas de 14 a 18 anos. “Se uma garota engravida, ela acaba ganhando atenção de muitas pessoas e, por uma questão de extrema carência que a juventude enfrenta hoje, engravidar também é uma solução encontrada pelas demais garotas, para ganhar atenção. O problema é que, com isso, há um prejuízo enorme que não é calculado.”, afirma Patrícia ao Jornal do Amazonas. Em suma, a psicóloga defende que a falta de acesso às responsabilidades de criar um filho, somada a uma estranha relação de status quo juvenil acaba ocasionando diversos casos de gravidez.
Para enfrentar esse problema, portanto, é necessário que o Ministério das Comunicações (MC) juntamente com o Sistema Único de Saúde (SUS) criem, por meio de reuniões com médicos, psicólogos, administradores, economistas e demais profissionais necessários da área de comunicações, um projeto de conscientização familiar juntamente com a possibilidade de acesso à rede e manipulação das mídias de notícia e informação. O efeito esperado é de que os familiares possam, pouco a pouco, entender a gravidade de uma gravidez não planejada e acabem acatando ao uso de contraceptivos, inclusive os gratuitos provenientes da iniciativa governamental. Dessa forma, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pode deixar de ser tão desfavorável e muitos problemas sociais podem acabar sendo minimizados, gradativamente, sem ferir a condição cultural das pessoas.