Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 23/07/2018
O vídeo clip musical “This is America” do ator Donald Glover traz um cenário de hipocrisia em meio a hostilidades. Tal arte visual demonstra alheamento da sociedade frente a violência ao revelar o artista dançando com um grupo de adolescentes quando ha ânsia à volta. Ao ampliar ‘‘Esta América’’, vê-se o Brasil excurso para com a gravidez na adolescência, pois não há devido foco na tentativa de minimizar essa incidência precoce. Ora, sambar em meio a essa mazela soa indiferença.
Nessa perspectiva, tal descaso é fruto da falta de políticas públicas que alcance toda esfera da sociedade. De acordo com o artigo 203, da Constituição Cidadã de 1988, a assistência social será prestada a quem dela necessitar e tem por objetivo: proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência. Na execução desse propósito ha falhas, a qual não é atingida tal salvaguarda a quem carece, pois, ao jogar luz na realidade de indivíduos com gravidez precoce reluz uma situação de desamparo o qual estes não foram capazes de evitar esse embaraço uma vez que não tinham ferramentas seguras de resguardo, como apontou a OMS em 2013 (22% das meninas tentam utilizar o método do coito interrompido). Cenário este que se traduz em ignorância. Assim, negar o grito de socorro dos pequeninos é negar a sua seguridade.
Outrossim, essa incultura se dar pelo receio de pleitear sobre comportamentos sexuais no colo familiar. Tal medo advém de uma cultura do ‘‘ocultamento’’. Esse comportamento se dar quando os pais em seus ensinamentos para com os filhos, deixa lacunas desde a não instigação de conhecimento do próprio corpo à questionamentos não correspondidos, as vezes por timidez ou sem embasamentos para construir na psique das proles comportamentos adequados de prevenções. Essa situação deixa a margem uma juventude desprovida, na qual se encontram em uma maior taxa de gravidez precoce, como apontou o programa UNFPA (20% dos nascimentos são de mães com 19 anos ou menos e com maior vulnerabilidade social). Dessa forma, o silenciar a dúvida é dar eco a abismos sociais.
Lidar com a gravidez na adolescência é crucial, portanto, ocupar-se de amenizar as raízes causadoras, assim, substituirá o ‘‘suor’’ da indiferença pela esperança do acolhimento, a ser um terreno de todas as danças. Para que seja viável é substancial atuação do estado e da família, o primeiro por meio de aplicativos de assistência social com simulações cotidianas de situações comuns juvenis a mostrar como agir perante elas. O segundo, deve atuar de forma a ampliar os horizontes dos filhos por debates sobre sexualidade em casa a mostrar as devidas consequências e assim manter uma relação de esclarecimento. Assim, por finalidade haverá uma juventude mais saudável, afinal, Danilo Felix acertou “A prevenção é a melhor saúde”.