Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/07/2018

Adolescência digna

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990 pelo Estado brasileiro, prevê que é responsabilidade da família, da comunidade escolar e do governo proteger integralmente esse público. Entretanto, passados quase 30 anos que esse importante compromisso foi assumido, a gravidez na adolescência ainda é muito recorrente no país. Logo, é imperativo que coletividade e poder público engendrem ações para superar esse grave problema social que afeta a dignidade do jovem brasileiro.

Um dos problemas da gravidez na adolescência é o tabu sobre discussões que envolvam sexualidade. Tal pensamento faz com que, tanto no ambiente familiar como no escolar, o diálogo acerca do uso correto de métodos contraceptivos, como preservativos, e emergenciais, como a pílula do dia seguinte, sejam evitados, quiçá, proibidos. Essa realidade contribui para que os jovens, notoriamente os menos favorecidos social e economicamente como comprovou dados do Ministério da Saúde, fiquem carentes de educação sexual e engravidem precocemente. Dessa forma, é preciso superar esse tabu para que a conscientização, a educação sexual e o diálogo sejam promovidos desde a pré adolescência para evitar que a gravidez na adolescência persista, ainda mais, no país.

Outro problema inquestionável de tal temática é o quase inevitável abandono escolar por parte da jovem que engravidou. Esse dado é comprovado pelos dados do IBGE, os quais concluíram que cerca de 80% das adolescentes que tiveram filho não concluem os estudos. Tal dado é alarmante, pois sem uma perspectiva de futuro e de realização profissional proporcionadas pelos estudos, essa jovem, como ratifica especialistas da saúde e da educação, tem enormes chances de engravidar  novamente, dificultando sua volta à escola. Desse modo, é fundamental construir uma estrutura que propicie o retorno da jovem para à escola, garantindo projeção de futuro e evitando a reincidência da gravidez.

Urge, portanto, que o país aja efetivamente frente aos adolescentes. Essa ação começa com a conscientização, promovida pela União com propagandas divulgadas na mídia, que objetivem explicitar a importância do diálogo. Continua com a inserção de ciclo de debates nas escolas com profissionais da saúde, jovens que engravidaram cedo e alunos com seus familiares para educar os jovens sobre o uso correto de métodos contraceptivos e estimular a discussão no seio familiar. Tal ação termina com a construção pelas prefeituras, nas escolas e universidades, de creches para, dessa maneira, viabilizar a ida à escola pela adolescente que engravidou precocemente e garantir uma perspectiva de futuro promissor para a mesma. Assim, observada uma ação conjunta entre os agentes sociais, o Brasil passará a promover uma adolescência digna, fazendo jus ao acordo firmado em 1990 com o ECA.