Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/07/2018
O acesso facilitado aos tratamentos médicos e o elevado custo de vida tem produzido nos países ricos um grave problema: o envelhecimento da população. Divergindo dessa realidade, porém, o Brasil apresenta, graças aos elevados índices de gravidez entre os jovens, um cenário de ameaça para a adolescência. Nesse contexto, deve-se analisar os impactos socioeconômicos e culturais na problemática em questão.
A princípio, convém destacar que o abismo entre as classes existentes no país contribui com a questão da gravidez precoce. Como afirmado pela escola marxista, a natalidade é influenciada pela desigualdade social que impede o acesso aos mecanismos de controle por todos. Sob essa ótica, a gestação entre as jovens pode ser entendida como uma consequência de um abandono, pelo poder público, dos cuidados sanitários dos mais pobres. Tal fato é corroborado por pesquisas como a do IBGE que, em 2015, revelou que 69% das adolescentes gravidas eram negras com baixa escolaridade.
Atrelada a essa falta de acesso, as relações da contemporaneidade aliada à falta de instrução consolida o problema. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a coletividade moderna é marcada pela fluidez das relações interpessoais. Imerso nesse panorama, o jovem brasileiro tem, muitas vezes, suas dúvidas sexuais censuradas pelos familiares e pouco exploradas no ambiente escolar. Consequentemente, o sexo banalizado e sem segurança passa a ser o resultado da junção entre a modernidade líquida de Bauman e a falta de informação.
Diante do exposto, faz-se necessário que o governo busque, por meio do Ministério da Saúde, investir na instalação de clínicas e postos de saúde especializados no atendimento às mulheres próximos de comunidades carentes com o fito de facilitar o acesso ao métodos de prevenção da gravidez. Outrossim, a escola deve promover palestras sobre educação sexual, com psicólogos e profissionais da saúde, para alunos e familiares com o intuito de instruir os jovens e conscientizar os familiares. Assim, o Brasil poderá oferecer um futuro de menos riscos para as adolescentes.