Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 08/07/2018
Ao longo do processo de formação do Estado Brasileiro, do século XVI ao XXI, o pensamento patriarcal consolidou-se e permaneceu forte. De maneira mais intensa no início da Idade Contemporânea, mulheres estabeleciam casamento ainda muito novas, por consequência, a maternidade precoce fazia-se presente e, visto a pouco idade da mãe, o risco de vida para ambos era intensa. Com isso, surge a problemática da gravidez na adolescência atual, que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de diálogo familiar, seja pela sexualização precoce.
É indubitável que a questão familiar e a falta de possibilidade de conversa estejam entre as causas do problema. Para muitas famílias, tratar de assuntos de cunho sexual com os filhos é um tabu. Para outras, não existe a abertura que permita a discussão desse tema, visto a falta de tempo dos país com os filhos. Além disso, a maior liberdade dada aos jovens na contemporaneidade é um fator de risco pois, atrelada a falta de diálogo familiar e desconhecimento dos métodos contraceptivos, adolescentes e jovens, sobretudo mulheres, tornam-se ainda mais suscetíveis a tal realidade preocupante do país, haja visto os riscos para saúde da mulher que, ainda não possui a formação biológica completa para a geração de uma vida.
Outrossim, destaca-se a sexualidade precoce como impulsionador da gravidez hodierna brasileira. Para dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) um em cada dez nascimentos é de mãe jovem. Com efeitos físicos e emocionais, a sexualidade precoce começa timidamente em brincadeiras infantis e, ligada a falta de atenção dos pais anteriormente citada, incita a criança/adolescente a vida sexual prematura. De maneira análoga, pode-se apresentar o contexto socio-econômico atual, com a maternidade extemporânea tratada como hábito e normalidade pela camada mais carente da sociedade, evidenciando a falta de conhecimento sobre o assunto intimamente ligada ao início da vida sexual imatura.
Entende-se, portanto, que a continuidade da falta de diálogo e negligência familiar frente aos jovens na contemporaneidade é preocupante. A fim de atenuar o problema, órgãos estaduais juntamente as escola, seja pública ou particular, deve elaborar palestras com participação de médicos e psicólogos especializados no assunto para incentivar os pais a abertura do diálogo com os filhos, expondo-os os riscos da gravidez prematura sem medos e tabus, bem como a introdução da orientação sexual nas escolas, em paralelo com a educação familiar. Dessa forma, a problemática será minimizada no país e os jovens terão maiores expectativas de vida.