Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2018

O conceito ‘Efeito Panóptico’, de Michael Foucault consiste na ideia de que um indivíduo, ao saber que não deve realizar determinada ação, internaliza um estado consciente da vigília, assegurando o funcionamento automático do poder. No entanto, os adolescentes, com o desejo sexual em seu clímax, praticam o reverso da teoria panóptica, querendo consumar tudo aquilo que lhes foi proibido e assim, essa condição associada aos problemas estruturais de desigualdade social e da falta de acesso aos métodos contraceptivos, resultam na grande incidência de gravidez em jovens no Brasil.

Primeiramente, cabe ressaltar que, promovido pela maior visibilidade do movimento feminista, o papel da mulher inverte-se de obrigação da maternidade para obrigação de ser o que ela quiser ser. Dessa maneira, a idade que antes era normal de ser mãe, passa a ser precoce, pois com as novas possibilidades suscitadas pela quebra de paradigmas, é a fase da vida em que a mulher pode escolher e criar planos para o seu futuro. Desse modo, a pressão do efeito panóptico aumenta, já que as expectativas dos pais para um futuro próspero para seus filhos, contrário a paternidade prematura, aumentam.

No entanto, o leque de oportunidades não é igualmente oferecido para jovens de diferentes classes, e a quebra de paradigmas não alcançam a todos homogeneamente, influenciados pelas desigualdades sociais históricas do país. Fruto da secular concentração de renda e de terras, grande parcela da população brasileira vive com baixíssima renda e possui pouco acesso à informação, à anticoncepcionais e a educação de maneira geral (destacando a educação sexual), tornando mais suscetível a ocorrência da gravidez na adolescência, mantendo a estrutura de arquétipos de incumbência de gênero e da não inserção desses pupilos no ensino superior e no mercado de trabalho.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, por meio de verbas viabilizadas pelo Estado, promova a distribuição de métodos anticoncepcionais nas escolas e nas comunidades, para assegurar a proteção dos jovens e a consequente diminuição dos índices de gravidez na juventude. Outrossim, que fortaleça a atuação do PSE (Programa Saúde nas Escolas), principalmente nas regiões mais carentes, fomentando o conhecimento sobre fisiologia sexual, práticas conceptivas, e que eduquem os pais a não tratar a atividade sexual por meio do efeito panóptico, e sim do diálogo. Mediante tais ações, torna-se possível a reversão de tal quadro no Brasil.