Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 07/07/2018

Gravidez da adolescência: um urgente problema social

Qual seria o impacto para a humanidade se Marie Curie tivesse de lidar com as consequências de uma gravidez precoce, na adolescência, que poderiam ser relacionadas à saúde e ao desenvolvimento sócio-educacional desta brilhante cientista? No Brasil, a taxa de fecundidade em mulheres com até 19 anos é superior ao índice médio na America Latina e Caribe, segundo a ONU. Isso aponta para a necessidade de políticas públicas efetivas que diminua esse grave problema social e de saúde.

A priori, é preciso reconhecer o impacto fisiológico de uma gravidez na adolescência na qual o corpo das jovens ainda está em formação como, por exemplo, o retardo do desenvolvimento uterino, anemia, maior incidência de eclampsia, infecções urogenitais. Isso justifica o elevado número de mortes, na  região das Américas, registradas em 2014 pela ONU: cerca de 1,9 mil óbitos durante a gestação, parto e pós-parto. Além disso, os bebês frutos dessas adolescentes, freqüentemente prematuros, apresentam baixo peso corporal e problemas de imunidade. Nesse sentido, o combate ao risco de morte deve incluir cuidados médicos e com alimentação, muitas vezes, inalcançáveis devido ao elevado custo financeiro associado e à condição social, geralmente baixa, das famílias que são infligidas por esse cenário.

Por outro lado, tem-se a dificuldade inerente à criação de uma criança totalmente depende dos pais em seus primeiros anos de vida. Por esse motivo, nota-se em muitos casos o abandono da escola dessas jovens para cuidar dos bebês no dia-a-dia ou para levantar o recurso financeiro necessário à alimentação, à vestimenta, à saúde, ao lazer e ao desenvolvimento humano, mesmo que básico, de seus filhos. Esse cenário fomenta a perpetuação de uma baixa condição social dessas famílias visto que a falta de uma educação básica e superior impacta significativamente no ganho financeiro do indivíduo.

Portanto, é preciso que haja urgentemente espaços semestrais para discussão nas escolas e nas comunidades, criados pelos educadores e agentes de saúde, para a disseminação de métodos contraceptivos, além de informações sobre os aspectos fisiológicos, financeiros e sociais relacionados à criação de um filho que podem também serem divulgadas por meio de panfletos, de sites e de redes sociais. Essas ações devem envolver a família e os jovens, empoderado-os para que os seus direitos à vida, à liberdade e à felicidade sejam efetivamente garantidos e, assim, possamos permitir o desenvolvimento de muitas Maries Curiers brasileiras.