Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 06/07/2018
Proibido falar sobre sexo
A gravidez na adolescência é um problema que além de faixa etária tem classe social, tendo elevado grau de incidência na faixa populacional carente. A supressão de informação nas escolas acerca da educação sexual, a falta de políticas públicas que tratem da prevenção e a concepção massificada do tópico como tabu são vetores para os altos índices de gestação que ainda são vistos. Portanto, uma abordagem mais contundente se faz precisa, enxergando o panorama como questão de saúde pública.
Em primeiro lugar, é inegável a necessidade de discussão do tema com os jovens nas escolas e dentro de suas casas. Comumente o receio dos pais em dialogar sobre sexo seguro, por vergonha, e a impossibilidade dos professores discutirem com os adolescentes, por temor a represálias institucionais ao tratar da sexualidade, faz com que estes consigam informação de forma irresponsável e relapsa, como em sites pornográficos. Nesse sentido, insistir na desinformação acerca da educação sexual acarreta no desserviço à situação.
Cabe destacar ainda que a população mais vulnerável é a que mais sofre com o problema, que vai além da gestação em si. Com a gravidez, torna-se necessário um acompanhamento médico rigoroso e eficiente, como forma de evitar complicações tanto para o feto, quanto para a mãe. No entanto, por negligência governamental na assistência à saúde, esse cuidado é escasso e dificultoso, tornando o cenário ainda mais intrincado. Portanto, faz-se preciso demandar melhorias no sistema de acesso à saúde para essa população, com equipes treinadas para dar assistência física e psicológica, já que o momento é delicado e, por vezes, carregado de estresse. Além disso, parte da massa ainda é omissa e insiste em não condenar as relações entre homens mais velhos com meninas adolescentes, que engravidam e não recebem assistência alguma, por muitas vezes criando o filho sozinhas.
Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para coibir o aumento na taxa de gravidez na adolescência. Regulamentações governamentais precisam ser impostas possibilitando que professores possam discutir em sala de aula o tópico, para que haja uma maior naturalização e a informação chegue de forma lúcida. Além disso, campanhas de distribuição de preservativos e conscientização sobre os métodos contraceptivos são imprescindíveis, por parte das secretarias de saúde, facilitando as vias de acesso à prevenção. Ademais, os pais precisam criar canais para discutir acerca do assunto com seus filhos, para que estes passem a enxergar o amadurecimento sexual mais esclarecidamente e com todos os cuidados necessários.