Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/07/2018

Meninas-bebês

“Pense duas vezes antes de agir”, esse provérbio, certamente, a grande maioria dos brasileiros já ouviram. Contudo, esse dito popular não parece ser a regra que norteia o pensamento de muitos jovens no Brasil contemporâneo, que, muitas vezes, motivados pela impulsividade e falta de responsabilidade, não se sentem ameaçados para com as consequências. Por conta disso, as mudanças hormonais atreladas a atitudes imaturas geram gestações precoces.

Para chamar a atenção do país acerca desses atos por uma parte da juventude brasileira, o documentário “Meninas” - disponível no Youtube - acompanha as gestações de quatro meninas-mães: garotas que a partir de 13 anos de idade descobrem estar grávidas e, por conta disso, devem abandonar suas bonecas, para cuidarem de alguém realmente indefeso. Nesse contexto, a rotina de ir para escola se torna cada vez mais complicada, e a necessidade de cuidar de seus filhos supera o desenvolvimento de qualquer outra atividade. Provavelmente, essas jovens se encontram nas partes periféricas dos grandes centros urbanos, em que a desigualdade, a falta de amparo e a falta de conscientização sobre a gravidez impera.

Atualmente, a educação sexual no Brasil não faz parte da grade curricular obrigatória e a melhor forma de inseri-la começa pela família. Em um primeiro plano, é valido analisar que existe um tabu acerca da formação e orientação sexual por parte das famílias, que não sabem responder as inúmeras perguntas dos adolescentes que preferem deixar para que especialistas, como professores de biologia, médicos ou psicólogos tentem responder. No entanto, os profissionais capacitados tem medo de estarem estimulando  esses jovens a terem vidas sexualmente ativas gerando, assim, um ciclo vicioso. Torna-se necessário, portanto, a compreensão de pais e mães, que vejam em diferentes localidades quando deve ter a necessidade de se debater e/ou conversar sobre o assunto.

Fica claro, portanto, que não haverá bons resultados no ataque a juventude sobre o aumento de jovens gestantes, as pessoas esquecem o contexto no qual elas estão inseridas. Precisamos ser mais incisivos com o governo na inclusão da educação sexual como parte da matéria de biologia, para que jovens aprendam, não somente a importância dos métodos contraceptivos, mas também as periculosidades de engravidar alguém muito cedo, como os riscos de vida da mãe na hora do parto ou no período da gestação. As famílias que não se sentem confortáveis conversando sobre o assunto, possam procurar ONGs, professores e psicólogos da escola, que se disponibilizem para esclarecer como dialogar com filhos adolescentes. Somente assim, podemos tentar mudar essa realidade.