Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/07/2018
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez na adolescência é a que ocorre entre os 10 e 20 anos. No Brasil, a questão tem sido alvo de discussões entre autoridades e é considerada um problema de saúde pública. Assim, interpela-se: quais as causas e os efeitos dessa problemática na realidade brasileira? A resposta pode ser encontrada em âmbitos socioculturais e familiares.
Pode-se afirmar que a precocidade da iniciação sexual por adolescentes é um fator importante a ser examinado. Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, embora todo indivíduo possua uma consciência individual, ele é fortemente influenciado pelos padrões do grupo social. Sob essa ótica, levando em consideração a falta de orientação no âmbito familiar, o adolescente vê na atividade sexual a relação com o ‘‘status’’ adulto; liberdade pelo uso do corpo em sua totalidade, além da oportunidade de autoafirmação em seu círculo social. Dessa forma, a gravidez na adolescência evidencia a falha de diálogo entre os jovens e seus responsáveis e, a influência cultural, acompanhada da imaturidade psicológica característica dessa fase, tende a agravar o exposto.
Ademais, é válido ressaltar as consequências sociais decorrentes da gestação precoce, entre elas a dificuldade à escolarização. Segundo pesquisa do Ministério da Educação em parceria com a Organização dos Estados Ibero Americanos, a gravidez é responsável por 18% da evasão escolar entre meninas. Sob essa ótica, muitas vezes por pedido ou sugestão do parceiro, ou por não ter com quem deixar o filho, a jovem se vê obrigada a abandonar os estudos. Nesse sentido, são vistas desvantagens à trajetória educacional da gestante, pois seu retorno à escola é embaraçado devido às novas responsabilidades, limitando o seu progresso acadêmico e as possibilidades de adequação ao mercado de trabalho.
Infere-se, portanto, a configuração negativa da gravidez na adolescência. Assim, cabe às Secretarias Municipais de Saúde, em parceria com as de Educação, investir na capacitação de equipes multiprofissionais com enfermeiros, médicos e assistentes sociais, para a realização de projetos quinzenais de acompanhamento de mães adolescentes nas escolas, de modo a ajudá-las a enfrentar as pressões emocionais e sociais decorrente de sua gravidez. Ademais, à mídia cabe a veiculação de seriados e programas que tratem da sexualidade de maneira correta e eficaz, incentivando à proteção durante o ato sexual, e mostrando as consequências que a imprudência e irresponsabilidade podem levar aos novos pais e o futuro bebê. Somente assim, será possível a mitigação dos males causados por uma gravidez precoce na adolescência.