Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/07/2018
O Brasil é um dos países com a maior taxa de gravidez na adolescência, taxa a qual parece não estar sendo combatida de forma eficiente em nosso país. A insuficiência, ou até mesmo a ausência, da educação sexual nas escolas é um dos fatores que contribui com esse índice. Por conseguinte, milhares de crianças nascem, muitas vezes, em situação de vulnerabilidade, sem uma estrutura familiar adequada.
A educação sexual nas escolas se transformou em um tabu no País: muitas pessoas, entre elas alguns pais de estudantes, acreditam que abordar o tema sexualidade nas instituições de ensino pode estimular os adolescentes a começar uma vida sexual. Essa ideia, que infelizmente continua se disseminando, é uma falácia, posto que a educação sexual trata-se de uma importante orientação sobre o sexo, doenças sexualmente transmissíveis, aborto, métodos contraceptivos, entre outros. Dessa forma, pode-se perceber que essa orientação acerca de sexualidade é uma grande aliada na prevenção contra a gravidez na adolescência, em razão de proporcionar ao jovem um melhor conhecimento sobre seu corpo e discutir sobre as responsabilidades inerentes ao mesmo quando se decide iniciar uma vida sexual.
Consequentemente, quando não se investe em educação sexual nas escolas de uma maneira efetiva, o resultado são jovens grávidas, na maioria das vezes, por falta de informação sobre os métodos contraceptivos. Nessa perspectiva, pesquisas apontam que a maioria das adolescentes grávidas são de famílias de baixa renda, em vista disso os bebês acabam por nascer em uma situação de vulnerabilidade social, o que significa que essa criança pode não ter tudo que precisa para um crescimento saudável, principalmente pelo fator socioeconômico. Além disso, há a questão da necessidade de um ambiente familiar bem estruturado, para o pleno desenvolvimento do indivíduo, o que muitas vezes não é concretizado, uma vez que a mãe, por ainda ser uma adolescente, não está preparada psicologicamente para cuidar de uma criança, visto que a mesma não tem a maturidade necessária para tal função.
A partir dessa reflexão, percebem-se necessárias ações conscientizadoras a curto e a longo prazo, posto que a educação é a principal solução, como já dizia Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Em primeiro lugar, é preciso quebrar o tabu da educação sexual nas escolas, isso pode ocorrer através de palestras abertas aos pais e à comunidade, no intuito de mostrar a importância do tema sexualidade, questão intrínseca à prevenção da gravidez na adolescência. Além disso, é fundamental que o Ministério da Saúde crie uma cartilha nacional referente aos métodos contraceptivos e suas especificidades, sendo que o mesmo deve ser distribuído em todas as escolas, postos de saúde, prefeituras e nos diversos órgãos públicos.