Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/06/2018

Parafraseando Pierre Bordeau, a juventude é apenas uma palavra. Isso significa que pensar a ideia de juventude é pensar, entre outras coisas, sobre condições de gênero, etnia e classe social. Esse pensamento reflete um quadro recorrente no cenário brasileiro: a gravidez na adolescência. Sendo essa majoritariamente vivida por jovens de classe social menos favorecida e com baixa escolaridade, faz-se necessária a promoção de uma saúde sexual que vise a prevenção de gestações nessa faixa etária.

A juventude é a fase da vida na qual são feitas escolhas determinantes para o futuro. Mas, para muitas adolescentes, essa fase é interrompida ao se depararem com uma gravidez não planejada. A falta de informações embasadas e o senso comum são fatores que agravam esse quadro, visto que, na maioria dos casos, as jovens são de classe baixa e de menor escolaridade. A fim de diminuir os índices de gravidezes entre esses jovens, torna-se necessário o fácil acesso dessa classe à informação correta, embasada e de linguagem acessível, de modo a instruir até mesmo as classes menos escolarizadas.

Além da desinformação, que retrata uma falta de instrução para com essa classe, outro fator que deve ser mudado para que haja essa prevenção são as falhas na assistência. A falta de recursos como anticoncepcionais gratuitos e preservativos nos postos de saúde é um empecilho para que haja essa precaução, tendo em vista a condição socioeconômica dessa classe. Para que haja uma maior mudança, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o da Saúde, se comprometa com a distribuição de preservativos, assim como outros métodos contraceptivos nas escolas, para que, assim, as classes menos favorecidas tenham direito à prevenção.

Mediante os fatos supracitados, é notável a necessidade de criação de políticas públicas que visem a mudança desse quadro. O Ministério da Saúde, em simbiose com os veículos midiáticos, deve criar programas que expliquem, com linguagem acessível, como funciona a saúde preventiva e quais os meios de evitar uma gestação não planejada. Além disso, é papel do Ministério da Saúde, juntamente com a prefeitura das cidades, prover métodos contraceptivos em postos e escolas, ensinando os jovens a usá-los. Dessa forma, será possível transformar a adolescência das jovens brasileiras, tornando, assim, a juventude mais que apenas mera palavra.