Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 21/06/2018

Segundo o SEADE de São Paulo, cerca de 14,5% dos partos realizados no estado tinham, como mães, adolescentes de até 19 anos de idade, destacando-se que, aproximadamente, 3,8% possuíam menos de 14 anos. Essa é uma realidade insustentável, pois, uma gravidez indesejada, e sem planejamento, pode causar problemas transitórios e perenes na vida de quem ainda não está preparado para esta responsabilidade.

Aliás, a situação não se cinge aos deveres maternos de cuidados dispensados aos infantes (que são cotidianos e duradouros). O problema é mais abrangente, pois, o nascimento de uma criança pode lesionar o corpo da mulher fisicamente despreparada (podendo matá-la no parto); ou, caso faça a opção por interromper a gravidez, muitas adolescentes poderão buscar o abortamento clandestino, assumindo os riscos físicos e jurídicos advindos do ato (como ficar estéreis ou irem presas). Mais: se a mãe não estiver devidamente informada, deixará de fazer o acompanhamento neonatal durante a gestação, e isso poderá trazer consequências para o desenvolvimento da saúde do recém nascido.

Efetivamente, essa situação tem sido intensificada pela negligência das pessoas responsáveis pelas adolescentes. Tanto é assim que as novelas e as mídias sociais proporcionaram acesso quase irrestrito a conteúdos sensuais e pornográficos; e, ao mesmo tempo, muitos pais sequer observaram os hábitos dos filhos (vez que trabalham demais), enquanto que as escolas ensinam mais sobre doenças do que riscos da gravidez.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para reduzir os números de gravidez na adolescência. É necessário que o Ministério da Educação corrija distorções no ensino de educação sexual nas escolas, colocando em destaque a prevenção da gravidez (com uso de camisinha) ou por meio de uso de métodos contraceptivos (como a pílula do dia seguinte). Além disso, através de reuniões de pais, as escolas deveriam orientar os pais também, ensinando-os sobre como tratar a questão com os adolescentes. Essas seriam soluções efetivas para reduzir o problema.