Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2018

No filme Juno, o autor traz como tema central o drama de uma adolescente que engravida aos dezesseis anos e se vê na difícil escolha de abortar ou permitir que a criança nasça para depois levá-la à adoção. Embora a obra tenha sido lançada há dez anos, a questão da gravidez na jovialidade permanece atual, devido à falta de habilidade de parte significativa dos mancebos em lidar com informações e a ausência de perspectiva de muitos jovens em relação ao futuro.

Nesse contexto, de acordo com a ginecologista e obstetra Albertina Duarte, o problema não está na exiguidade da informação, mas em como os adolescentes a encaram. Para a doutora, a gestação na jovialidade é um indicador de escravidão, visto que a menina é submetida pelo menino a não usar camisinha. Essa situação revela a carência de um emponderamento das meninas e a falta de maestria para desfrutar dos informes que lhes são dados. Além dos problemas citados, contribui também para gestação precoce a ausência de perspectiva ,por parte dessas jovens, em relação aos estudos e mercado de trabalho. Fato que comprova isso é um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde. Segundo a pesquisa, 85% das adolescentes grávidas não haviam sequer completado o ensino médio. Diante da carência de uma educação de qualidade, políticas inclusivas e oportunidades de emprego, só resta a essas adolescentes o papel de serem mães.

Em consequência dos contratempos mencionados, o Brasil é hoje o terceiro país da América Latina com maior número de gestações entre mancebos conforme dados da Organização Mundial da Saúde. De acordo com o estudo, entre os anos de 2010 e 2015, a cada grupo de  mil meninas com idade entre quinze e dezenove anos sessenta e oito engravidaram. Esses números são bastante expressivos e trazem inúmeros impasses para os jovens que se tornam pais antecipadamente. Para a menina os problemas começam ainda na gravidez com o risco de desnutrição, pressão alta e de o bebê nascer prematuro. Ademais, depois do nascimento da criança os pais se veem excluídos do grupo de amigos, podem encontrar dificuldades na criação do filho e criam previamente responsabilidades de adultos.

Logo, para que o problema de gestação na jovialidade seja atenuado, é imprescindível que o Ministério da Educação prepare os professores no processo de formação para falar não só sobre doenças sexuais, mas também sobre a gestação precoce, a necessidade de emponderamento da menina durante a relação e a importância do respeito por parte do rapaz. Esse mesmo ministério,mediante verbas da União,também precisa criar atividades de inclusão em locais onde os jovens não têm acesso. Essas atividades pode ser instauradas por meio de oficinas de arte, música e ginásios de esportes gratuitos. Cabe também a família ajudar na educação sexual dos mancebos.