Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/06/2018
Umas das consequências da contemporaneidade consiste no planejamento familiar, a formação dos primeiros núcleos urbanos e posteriormente surgimento dos métodos contraceptivos fez com que o ônus da fertilidade fosse pré-programado. No Brasil, mesmo por contemplar de fácil acesso à informação e ajuda profissional, há uma constância nos casos de gestação na adolescência. Assim, tal realidade deve-se a soma de um conjunto de fatores, sobressaindo a falta de diálogo familiar, a pouca aplicabilidade das informações sobre sexualidade e tímido aporte por parte do Estado às gestantes.
Dessa forma, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, dissertava sobre uma “Modernidade Líquida”, onde os laços das diversas instituições sociais estariam enfraquecidos. Analogicamente a tese Baumaniana, a família, principal mecanismo na formação individual –na maioria dos casos– não permite espaços para o diálogo sobre temas como a sexualidade, bem como métodos contraceptivos, tratando-os como tabu. Logo, a falta de debates nos laços familiares acabam por intensificar a erotização precoce e sem o aporte informacional suficiente pode ocasionar diversas consequências, como uma gestação sem elaboração e até mesmo infecções sexualmente transmissíveis(ISTs).
Nesse ínterim, mesmo a tentativa governamental de informar toda a sociedade não é suficiente para minimizar os casos de gravidez na adolescência. Uma vez que, há diversos fatores entre a propagação de informações e a aplicação dessas no cotidiano, a exemplo o pouco conhecimento ou acesso das populações com menor poder aquisitivo aos métodos anticoncepcionais, além de uma resistência à adoção desses tidos como “modernos”. Em outra vertente, há pouco auxílio Estatal em garantir a dignidade das mães recentes, sobretudo, no combate a evasão escolar, pois de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 76% das grávidas abandonam os estudos.
Diante desse cenário, cabe as escolas com auxílio do Ministério da Educação e Ministério da Saúde elaborar nos espaços escolares discussões acerca de temas relacionados a sexualidade, tais debates devem estar de acordo com a faixa etária e escolaridade de cada alunado e devem, resguardada a vontade individual, ter participação dos responsáveis e da população de modo geral, de maneira a pluralizar as responsabilidades sexuais entre homens e mulheres e assim evitar as inresponsabilidades nas relações. Dessa forma, com o tempo toda a sociedade civil, em especial a juventude, terá conhecimento técnico sobre como evitar, na prática, gestação e também ISTs. Além disso, as prefeituras, com ajuda da União, devem possuir ao menos uma escola com fraldário para que as gestantes possam cuidar dos seus filhos e serem minimamente afetadas, evitando ao máximo a evasão escolar desse grupo. Assim, o Brasil será um país de planos gestacionais mas também sociais.