Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 17/08/2018

De fato, em diversas culturas as mulheres tornam-se mãe com pouca idade, por se casarem precocemente, tendo como função cuidar do lar e gerar filhos. Porém, graças a ascensão da mulher no mercado de trabalho e ampliação dos métodos contraceptivos, houve atenuação na quantidade de jovens grávidas. Apesar disso, no Brasil, sob perspectivas socioeconômicas, tais condições estão sendo revertidas, havendo ampliação no número de grávidas adolescentes. Por conseguinte, essas meninas sofrem impactos psicológicos e físico-biológicos colocando em risco a sua própria vida.       Mormente, é preciso considerar a conjunção econômica. De acordo com a tese marxista, o Estado, sob influência do capitalismo selvagem, condiciona os interesses da classe dominante, negligenciando os demais setores. Dessa maneira, jovens de baixa renda são marginalizados e subjugados, sendo assim, as adolescentes de classe hierárquica inferior idealizam que a gravidez, mesmo que precoce, uma forma de ascensão social, já que não possui perspectiva de progresso acadêmico. Ademais, devido as dificuldades do processo de gestação, acaba por provocar a evasão escolar, dificultando a inserção no mercado de trabalho, como mostra o programa televisivo, Profissão Repórter, onde uma garota, de apenas 17 anos, busca trabalho após abandonar a escola em virtude da gravidez.

Outrossim, cabe pontar a falta de conhecimento sobre a prevenção. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cerca de 60% das jovens que se tornam mães, não estudam. Partindo dessa premissa, devido a ausência de informações advindas da baixa escolaridade, contribui para perpetuação dessa problemática, levando a traumas psicológicos causados pelo rompimento precoce de seu desenvolvimento infanto-juvenil para se tornar mãe. Além disso, a banalização do sexo nas novas relações sociais e a carência de instrução familiar, devido a temática ainda ser um tabu, acentua o surgimento de gestações prematuras. Desse modo, há ainda, a desconsideração que esse perfil de gravidez é arriscado, pelo fato do corpo feminino ainda estar em prosseguimento físico e biológico.

Urge, portanto, a necessidade de mudanças que minimizem tais mazelas. Para isso, o Governo, por parte do Ministério da Educação, deve promover debates, em instituições acadêmicas, entre disciplinas de biologia, sociologia e filosofia, com participação de pais e alunos, enfatizando a importância de perspectivas profissionais através dos estudos bem como oriente métodos de introduzir esse assunto no âmbito familiar, facilitando a orientação individual e familiar sobre o assunto. Ainda assim, é preciso que os níveis midiáticos em parceria com organizações não governamentais, viabilizem campanhas, na forma de curta metragem, exibindo depoimentos de jovens que engravidaram cedo e os obstáculos enfrentados por elas, além de relatar o modo correto de utilizar os métodos contraceptivos.