Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/05/2018
Menina Mãe
Em sua temporada de 2017, a dramaturgia Malhação, direcionada ao público jovem, apresentou a história de Keyla, sobrevivente à inúmeras dificuldades por ter se tornado mãe solteira aos 16 anos. Tal cenário é antigo e comum na sociedade, porém deve ser combatido pois traz consigo consequências em diversos âmbitos. Ademais, de acordo com uma pesquisa do IBGE, a incidência desse fato é maior nas famílias desestruturadas. e em classes pobres.
É sabido que o processo de “adolescer” por si só traz mudanças que perturbam os jovens. Entretanto, a partir de 1968, o chamado “ano louco”, a maneira para amenizar essa insegurança transformou o comportamento sexual dos mesmos, acarretando assim, no que a psicanálise chama de “economia do gozo”. A fim de alcançarem a liberdade e autonomia, a juventude contemporânea vê nas relações sexuais, o passaporte para a vida adulta. Isso ainda se agrava pelo meio social, pois, pais e educadores, atônitos e sem parâmetros na tentativa de alcançarem o liberalismo pregado pela sociedade, acabam deixando os adolescentes desamparados e sem orientação adequada.
Além disso, o tecido social se modernizou e a mulher ganhou mais espaço. Porém, em famílias pobres, os desafios de independência e barreiras profissionais são maiores e as oportunidades de estudo reduzidas. Por conseguinte, a menina vislumbra e assume o papel social de mãe como o único capaz de lhe dar melhores expectativas para o futuro, o Censo Demográfico de 2010 já apontava a maior taxa de fecundidade em famílias mais pobres. Na série “Todo mundo odeia o Chris”, é nítido no decorrer das cenas, a alta incidência de jovens que se tornaram mães na favela onde vive o protagonista.
Em síntese, a gravidez na adolescência não deve ser vista com preconceito pela sociedade, pois o julgamento agrava a evasão escolar, perpetuação da pobreza, abuso e violência à mãe e criança. Com o intuito de amenizar a problemática, o Ministério da Saúde deve implantar nas escolas o acompanhamento psicológico aos adolescentes para que lidem com naturalidade com as transformações fisiológicas. É cabível a mídia, mostrar verdadeiramente a realidade cotidiana árdua vivida pelas mulheres que tiveram filhos cedo. O Governo, em parceira com instituições como a AACRIANÇA e AMA, é responsável por impulsionar a criação e a manutenção de casas de apoio às mães jovens desamparadas, para que não tenham que recorrer a medidas extremas e se submeterem à situações degradantes de vida para se sustentarem.