Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 23/05/2018
Sabe-se que, no Brasil, o número de gravidez na adolescência é muito grande. Dentre os países da América Latina, a taxa brasileira só não é maior do que a da Venezuela e a da Bolívia. Vários fatores contribuem para o aumento desses números, mas dentre eles, destacam-se: a erotização precoce dos adolescentes; a falta de estrutura familiar e a ausência de uma política de conscientização, nas nossas escolas.
Inicialmente, é possível perceber, na sociedade brasileira, uma supervalorização do sexo. Percebe-se que, em vários setores sociais, há certo apelo sexual presente nas diferentes manifestações artísticas e culturais. Não é difícil, por exemplo, notar que boa parte de nossas músicas são compostas por letras que estimulam o erotismo. Mais apeladora ainda são as danças e coreografias criadas, divulgadas, exaltadas e repetidas pelos adolescentes e jovens brasileiros.
É dentro desse quadro social que entra a parcela de culpa da família. Em muitos lugares do Brasil, nossos adolescentes e jovens vivem em situações familiares que contribuem diretamente para o aumento das estatísticas. São meninas que, muitas vezes, convivem em famílias cujas mães também são mães solteiras ou que moram com os avós ou outros familiares. Além disso, há adolescentes que crescem sem nenhuma orientação familiar quanto ao uso de preservativos ou métodos anticoncepcionais etc., uma vez que as próprias mães, às vezes, não têm tempo de conversar com seus filhos.
Por último, não se pode deixar de apontar a contribuição da escola para essa questão. Geralmente, o trabalho que se faz nas unidades escolares no que tange à temática sexual, são eventos voltados para o uso de contraceptivos por parte dos estudantes, o que é louvável, porém, ineficaz. Ainda não há uma política educacional que oriente os alunos para que façam um planejamento de vida, motivando-os a ingressarem no ensino superior, fazerem um curso técnico, conseguirem um emprego etc., antes de assumirem um compromisso tão sério, que é a de colocar um filho no mundo.
É notório que o problema da gravidez precoce não é uma situação fácil de ser resolvida, mas algumas atitudes podem contribuir para amenizar ou retardar o nascimento precoce de crianças, no Brasil. Primeiro, as famílias devem orientar os filhos quanto à necessidade de prevenção ou de conscientização no que se refere à seriedade da maternidade/paternidade. Depois, a escola pode contribuir também através da realização de eventos, como palestras e, principalmente, testemunhos de adolescentes que tiveram filhos. Por último, o governo brasileiro também poderia implantar medidas de combate ao erotismo nas propagandas, na mídia e nas redes sociais.