Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 20/05/2018

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez na adolescência é a que ocorre entre os 10 a 20 anos, sendo considerada uma gestação de risco. No Brasil, ainda segundo a OMS, há 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. O quadro descrito advém de fatores sociais, culturais e econômicos que trazem como consequência o crescimento do número de jovens abandonando os estudos e o aumento de riscos à saúde da mãe e do filho.

Inicialmente, é importante citar alguns fatores socioculturais que tornam esses casos frequentes, tais como: desconhecimento sobre os métodos contraceptivos e riscos da gravidez precoce, despreparo das juvenis e dos seus responsáveis para lidar com a situação, falta de comunicação entre os envolvidos e violência sexual. Aspectos como esses levam as adolescentes à gestações indesejadas e arriscadas, êxodo escolar, abandono e expulsão de casa. Essas informações demonstram que a problemática social precisa ser amplamente discutida no país e ratificam a necessidade de investimentos para evitar que os números de ocorrências continuem elevados.

Além disso, alguns elementos econômicos são recorrentes na conjuntura das grávidas menores de 21 anos e, entre eles, podemos citar: baixa renda familiar e escolaridade, dependência em relação a família e desemprego. Dessa forma, as mães enfrentam momentos de insegurança e desespero que culminam em tentativas de aborto, falhas na realização do pré-natal e partos difíceis. Isso demonstra que o despreparo biológico do corpo das adolescentes soma-se com todos os riscos da gravidez prematura e, juntos, esses elementos podem acarretar em graves sequelas ou óbito para o filho e para a mãe.

Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de evitar a gravidez indesejada na adolescência e de aprimorar o preparo da sociedade ao lidar com as circunstâncias envolvidas. Em primeiro lugar, cabe à Receita Federal destinar uma parcela dos impostos para que a Secretaria de Comunicação Social desenvolva comerciais de televisão e rádio, “outdoors”, panfletos, palestras abertas e vídeos nas redes sociais que orientem a população brasileira quanto aos conceitos e riscos envolvidos nesse acontecimento, além de investir na distribuição de contraceptivos orais e preservativos juntamente às explicações sobre suas utilidades, de forma a evitar que novos casos ocorram. Em segundo lugar, o Ministério da Educação deve promover cursos, palestras e aulas de educação sexual nas escolas direcionados aos alunos e seus responsáveis, visando facilitar a comunicação e compreensão sobre o assunto.