Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/05/2018
Conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o percentual de adolescentes (de 10 a 19 anos) grávidas no Brasil reduziu em 17% do ano de 2004 para 2015. Contudo, apesar da redução, 2015 registrou mais de meio milhão de mães ainda adolescentes no país, de acordo como a mesma pesquisa. A desinformação e a vulnerabilidade social se unem como os principais fatores que corroboram para a persistência dessa problemática social no Brasil.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que as medidas governamentais para o combate a esse problema foram fundamentais para a redução notada nos últimos anos. Dentre elas, destacam-se os programas Saúde na Escola – responsável por trazer informação sobre saúde ao ambiente escolar –, Saúde da Família – que acompanha as famílias com maior proximidade – e a difusão de métodos contraceptivos.
Deve-se pontuar, no entanto, que tais medidas não conseguem alcançar toda a população de forma homogênea e eficaz. Isso porque aquelas adolescentes marginalizadas, em condições de maior vulnerabilidade social, muitas vezes não têm oportunidade de educação a nível sequer de ser abordadas medidas preventivas de gravidez. Além disso, muitas dessas famílias fragilizadas sócio economicamente não têm contato com o programa Saúde da Família.
Tal contexto é intensificado pela falta de diálogo entre pais e filhos. Assim como o sociólogo Max Weber estabelece o conceito de ação social tradicional, a qual reflete comportamentos intrínsecos a costumes e hábitos socialmente arraigados, tem-se ainda hoje um tabu envolto na ideia de falar sobre sexo no ambiente familiar. Como resultado dessa ação social – a qual o Weber descreve como irracional –, os adolescentes adquirem informações a partir de outros meios não tanto confiáveis, como os colegas (que são tão inexperientes quanto os mesmos) ou ainda filmes pornográficos, que os fazem agir de maneira equivocada, posto que foram suas únicas fontes de informações.
Diante desse cenário exposto, é de extrema importância buscar contornar os impasses que se impõem à mitigação da gravidez na adolescência no Brasil. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde expanda e intensifique programas sociais que visem trazer informação e acompanhamento médico a famílias de maior vulnerabilidade social, dado que estão mais propensas a apresentarem adolescentes com gravidez indesejada. Por fim, cabe à família romper o tabu envolto nessa temática desde cedo, a fim de preparar os pré-adolescentes para as mudanças que virão em suas vidas, discutindo os riscos e consequências de uma gravidez precoce e as medidas preventivas que devem ser sempre tomadas.