Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/05/2018
Em sua obra “Mãe e Filho”, Gustav Klimt explora o universo da maternidade, ao retratar uma jovem mãe dormindo com seu filho. Fora das telas do artista, especialmente no Brasil, essa cena se repete com frequência e sem a delicadeza expressa no quadro visto que a gravidez na adolescência é um fenômeno crescente no país e tem um grande impacto na formação psicossocial das futuras mães, realidade que encontra seu sustentáculo na aceleração da idade adulta e o menosprezo com a educação sexual e faz com que suas consequências tangenciem o cenário de desigualdade nacional.
Desde a Revolução Industrial, crianças e adolescentes vêm ocupando espaços originalmente destinados a adultos, o que culminou na crescente supressão da infância em detrimento de uma vida adulta antecipada. Analogamente, a adolescente, ainda que preparada biologicamente desde sua primeira menstruação para engravidar, assume um papel adulto precocemente ao engravidar nessa fase, visto que seu desenvolvimento e formação identitária são interrompidos. No campo social, essa tendência se traduz na exclusão e desigualdade, que impedem que mãe e filho gozem de direitos garantidos constitucionalmente.
Por outro lado, não é a desinformação acerca dos métodos contraceptivos que contribui para os índices de mães adolescentes, mas sim a sensação de onipotência compartilhada pela maioria dos jovens, comportamento que se dá devido à falta ou a deficiência de educação sexual. Ainda que 92% tenham conhecimento de pelo menos um método contraceptivo, de acordo com o levantamento feito por Adriana Lippi Waissman, médica obstetra e especialista em gravidez jovial, muitos optam por correr o risco de se relacionar sexualmente sem o uso deles, visto que é uma prática disseminada pelos filmes com teor pornográficos.
Entende-se, portanto, que a gravidez na adolescência ceifa o desenvolvimento característico da fase adolescente. Para atenuar tal cenário, o Ministério de Educação deve adicionar o estudo da sexualidade na BNCC, Base Nacional Comum Curricular, e oferecer treinamento para que professores possam ministrar tal matéria por meio da orientação de médicos e psicólogos especialistas na questão. Talvez assim, jovens mães e seus filhos possam desfrutar da plena cidadania e da paz pintada no quadro de Klimt.