Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/05/2018

Uma das consequências da desigualdade social gritante que há no Brasil é a gravidez precoce em meninas que estão abaixo da idade adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada 1000 adolescentes, 68 estão grávidas ou tiveram um bebê. Ainda, de acordo com o IBGE, 35,8% moram no Nordeste (onde está concentrada a maioria dos estados pobres brasileiros), e 85% não completaram o ensino médio. Todos esses dados descortinam o atual cenário socioeconômico do país, no qual se relaciona também com a saúde da gestante e do seu filho.

A pobreza brasileira traz, além da situação precária de vida dos constituintes, uma gama de efeitos colaterais. Mesmo não acometendo apenas as classes sociais mais baixas, a gravidez em meninas menores de idade é um fator recorrente nesse setor. E, apesar de existirem vários fatores para gerar um filho, as faltas de instrução, perspectiva de vida, estrutura familiar, medicamentos e protetores sexuais, são das causas que mais levam a acontecer um fato social como esse. Como são mostradas no documentário “Meninas”, produzido por Sandra Werneck, no qual expõe histórias reais de garotas brasileiras grávidas e que possuem menos de 15 anos. Nele é contado um pouco da vida de Evelin, de 13 anos, grávida de um traficante. Ela, que possui uma estrutura familiar debilitada, exibe os motivos e o não planejamento da gestação, além de relatar o abandono da escola e a dependência do pai da criança para todos os gastos que terá.

Afora, o estado de saúde de uma mãe com menos de 19 anos de idade é posto ao perigo. O corpo de uma adolescente não está totalmente preparado para gerar e carregar outro ser, trazendo com isso riscos que afetam tanto a jovem, quanto o bebê. Ameaças como um parto prematuro, infecção urinária, baixo peso do recém-nascido, e até morte de ambos os participantes da gravidez por alguma complicação mais grave, são ameaças que uma jovem pode sofrer. Sendo assim, além de apresentar caráter socioeconômico, a gestação precipitada também é uma questão, e séria, de saúde pública.

Portanto, uma ação precisa das autoridades competentes deve acontecer com rapidez, para que possa reduzir o número de casos, e, consequentemente, melhorar as áreas afetadas. Assim, o Ministério da Educação, através das escolas, deverá utilizar de palestras multidisciplinares que, além de informatizar os alunos e alunas da importância da camisinha para evitar uma possível IST, também instruir o uso correto desse preservativo e do anticoncepcional, como também da ida ao ginecologista periodicamente para a prevenção da gravidez. Atingindo esse público alvo e conseguindo com êxito informatizar os riscos e consequências de uma relação sexual, se conseguirá a diminuição das ocorrências e, consequentemente, das implicações que ela traz.