Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/05/2018

Em termos biológicos, a partir da puberdade, a mulher está pronta para gerar uma nova vida. Quão mais velha é a futura mãe, a gravidez está mais suscetível a erros genéticos e doenças crônicas culminando em uma gestação de risco. Entretanto, a ciência tanto avançou para ajudar a humanidade que, atualmente, muitas mulheres engravidam mais velhas do que a própria mãe natureza indicaria. Para a sociedade os benefícios incluem maior maturidade emocional e possível estabilidade financeira, possibilitando as condições ideais para a criação de um filho. Ainda assim, no Brasil, a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos, 68,4 ficaram grávidas. Nos Estados Unidos, a taxa é de 22,3 a cada mil. Frente aos avanços da medicina e da evidência de pequenas taxa de nascimento em outros países, surge a dúvida: por que a gravidez na adolescência permanece em taxas tão altas no Brasil? A complexidade de se resolver o problema não reflete a simplicidade em se apontar as causas, que são várias, mas possuem maior contribuição da desigualdade social e do machismo.

A desigualdade social afeta, em primeira instância, as adolescentes por falta de acesso à educação de qualidade. Esse ponto, além de ferir gravemente a constituição brasileira, culmina na criação de uma parcela de mulheres pouco críticas ao próprio meio e sem opções para ascender socialmente. Immanuel Kant afirmou: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, logo, é também aquilo que a ausência de educação faz dele. Dessa forma, as jovens mulheres enxergam no casamento precoce sua única opção para sair de casa e mudar de vida, porém, decorrente da falta de educação e conscientização, acabam por, novamente, darem origem a uma nova família, muito cedo.

Por outro lado, é preciso destacar também a importância do papel da educação do homem. É trágico observar como muitas vezes lemos: “não ensinaram às meninas os métodos contraceptivos”, e aqui friso o uso do artigo “a” que sustentam a observação machista de que a gravidez precoce é culpa da mulher. E é, como também do homem, como também da sociedade. Fica claro que, além da educação formal, a esses jovens meninos também falta a educação social. O que em última instância acaba contribuindo para a manutenção da desigualdade.

É preciso colocar em evidência esse grande retrato da desigualdade como um aviso, que pode e deve ser revertido, a médio e longo prazo, por ações assertivas do Governo Federal em destinar mais verbas para o Ministério da Educação que deverá investir em uma educação de jovens e adultos (EJA) bem como na criação de cartilhas explicativas que sejam trabalhadas pelas escolas de educação básica em oficinas destinadas a ambos os sexos, ilustrando o papel de culpa e também de agente de mudança de cada um.