Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/05/2018

Segundo dados fornecidos pelo Departamento de Informática do SUS- Datasus- uma em cada cinco crianças nascidas no Brasil é filha de adolescentes entre 10 a 19 anos. Algo extremante preocupante, visto que modifica de maneira significativa e, muitas vezes, de modo prejudicial, a vida desses jovens e a dinâmica social como um todo.

Prejudicial pelo fato das mudanças advindas com a chegada de um filho serem muito mais intensas na vida daqueles que se tornaram pais precocemente. Os desafios de manter os estudos e de ter que trabalhar para sustentar a casa evidenciam bem tal fato. Sem mencionar que a oferta de emprego para aqueles que não concluíram o ensino básico/ médio é consideravelmente reduzida, contribuindo para que essas famílias recém-formadas entrem para a linha da pobreza. Fator que justifica a interferência de tal problemática no âmbito social.

Entretanto, a questão mais preocupante frente a todo esse panorama é o fato de que são inúmeros os empecilhos relacionados à redução dos índices de gravidez na adolescência no país. O principal entre eles é a falta de orientação desses jovens por conta do tabu em volta da sexualidade ainda vigorar no Brasil. A crença equivocada da sociedade de que ao informar os jovens sobre prevenção durante o ato sexual possa, de certa forma, incentivá-los a se tornarem sexualmente ativos é, infelizmente, ainda muito frequente. Outro empecilho que merece destaque é o absurdo  da persistência do pensamento machista de muitos parceiros que se recusam a usar preservativos, incentivando a negligência não só quanto a gravidez não planejada como a incidência de doenças sexualmente transmissíveis.

Diante do que foi discutido, nota-se a importância da adoção de medidas que revertam o quadro apresentado. Entre elas, a ação conjunta entre os Ministério da Saúde e da Educação que promoveriam semanas temáticas elucidativas dentro das escolas de todos os municípios brasileiros, as quais, por meios de palestras e centros de diálogos, pudessem esclarecer os jovens sobre o assunto. Outra medida tão importante quanto, que também contaria com a atuação do Ministério da Saúde, desta vez em parceria com os donos das redes sociais, seria promoção de campanhas que convidassem os pais a conversarem mais com os filhos sobre tal questão, visto que o papel da família é de extrema relevância nesse contexto. A criação de subsídios às famílias que já convivem com a gravidez precoce, pela a União, também se faz necessário. Para que assim, a erradicação desses números preocupantes bem como  da cultura atrasada frente a sexualidade e a igualdade de gêneros seja alcançada.