Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 17/05/2018

A entrada da mulher no mercado de trabalho, a luta por liberdades individuais e a implantação de melhorias médico-sanitárias permitiram a redução das taxas de fecundidade e de natalidade no Brasil e em países desenvolvidos.Entretanto, entre as adolescentes, mesmo no século XXI, observa-se a manutenção de elevada incidência de casos de gravidez.Tais circunstâncias ocorrem em função da falta de orientação  sexual plena, bem como da baixa atuação estatal na área de saúde pública.

Cabe ressaltar, em primeiro plano,que a perpetuação de visões preconceituosas e conservadoras estimuladas por convenções sociais e religiosas naturalizadas, acerca dos atos sexuais, corrobora a imposição de limites e proibições na abordagem da temática pelos familiares. Sob tal perspectiva, verifica-se que a escolha de pais e responsáveis em fornecer informações superficiais sobre a utilização correta dos métodos contraceptivos para evitar tais gestações precoces,assim como o desenvolvimento de doenças sexualmente transmissíveis,pode carretar o aumento do quantitativo de jovens grávidas no país.Dessa forma, evidencia-se que adoção de linguagem rebuscada, caracterizada pela falta de objetividade e pelo uso excessivo de eufemismos, ao debater sobre a  problemática, torna a gestação na adolescência uma questão de saúde pública.

Destaca-se,ainda, além de tal questão cultural, que a precarização da infraestrutura e da administração dos postos de saúde, marcada pela falta de materiais básicos e de equipes de atendimento especializado, amplia as disparidades socioeconômicas, tornando essa faixa etária mais vulnerável e excluída. Diante de tal situação, em função da escassez da criação de projetos sociais e campanhas de esclarecimento ministradas nas instituições de saúde, acrescida da fraca regularidade de distribuição de preservativos, implica a permanência dessa condição de gravidez entre os jovens.Dessa forma, percebe-se como fator agravante de tal problema, a ausência de reconhecimento pleno dos direitos socais desses cidadãos previstos na Constituição de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente,sobretudo em regiões marginalizadas com baixo controle dos órgãos governamentais.

Sendo assim,constata-se que a falta de orientação familiar, associada à secundarização da saúde pública, são elementos responsáveis pela banalização da questão gestacional na juventude. Faz-se necessário, portanto, que os pedagogos e psicólogos  promovam debates de forma regular e prática nas escolas e nas universidades, por meio da criação de mesas redondas e de palestras ministradas por profissionais capacitados, a fim de fomentar o pensamento crítico e consciente dos estudantes, desconstruindo tabus.É fundamental, ainda, que as Secretarias de Saúde destinem maior aporte de verbas às farmácias populares para para garantir distribuição de camisinhas e orientação farmacêutica.