Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/05/2018
A adolescência é um período muito importante e delicado na formação de um indivíduo. A complexidade das constantes descobertas que os jovens enfrentam é acompanhada, muitas vezes, de consequências impactantes como a gravidez precoce, por exemplo. A maternidade prematura é uma realidade no cenário brasileiro e deve-se, dentre outros fatores, à falta de efetividade na educação sexual e a desigualdade social negligenciada pelo governo.
Embora o acesso à informação esteja, de certa forma, democratizado, adolescentes ainda engravidam, mesmo tendo conhecimento de diversas formas contraceptivas. Muitas famílias, que deveriam ser as fontes primárias de orientações, ainda tratam o assunto como um tabu e não dialogam abertamente com seus jovens, deixando todo esse encargo para as escolas. Essas, por sua vez, não tem uma disciplina específica para o assunto. As instituições de ensino priorizam a abordagem em profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis. É notória a importância da prevenção de DST’s, todavia ela deve vir acompanhada, também da gravidez prematura. Estudos comprovam que proporcionalmente as chances de gravidez são maiores que as de contração de doenças. As duas abordagens, na realidade, devem ser sempre conjuntas, já que os métodos contraceptivos são semelhantes.
Indubitavelmente, a extrema desigualdade social no país é diretamente responsável pelo aumento nos índices de gravidez na adolescência. A taxa de fecundidade em regiões mais carentes é bem mais elevada que as áreas com mais recursos. As adolescentes das áreas mais desprovidas, de maneira geral, possuem baixa expectativa em relação à escola. Seus projetos futuros não são baseados em educação, mas sim, em formar uma família e ser a mulher do lar. Elas crescem seguindo o exemplo das mães ou avós e o que resta é exercer o papel de mãe na sociedade. Em contrapartida, as famílias de classe alta possuem estruturação, a qualidade da educação é muito melhor. Com isso, a expectativa para o futuro é maior, e as jovens se preocupam com a possibilidade de uma possível gravidez estragar, de algum modo, suas expectativas.
Assim sendo, a família e a escola tem papel fundamental na orientação sexual a fim de evitar possíveis gravidezes inesperadas. Aquela deve quebrar o mito do tabu e, cada vez mais cedo, orientar os jovens. Além disso deve incentivar uma busca constante por um futuro focado nos estudos. Essa deve focar numa maior efetividade nas disciplinas de orientação sexual no que tange a prevenção da gravidez prematura. Ademais, o governo deve aumentar o investimento na educação, para proporcionar mais oportunidades aos adolescentes das áreas vulneráveis e dessa forma, a longo prazo, diminuir a gritante desigualdade social e controlar a elevação na taxa de fecundidade das jovens.