Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

De acordo com informações divulgadas pelas Nações Unidas, o Brasil apresenta uma taxa de 68,4 nascimentos para cada 1 mil meninas entre 15 e 19 anos, o que indica uma média superior a do continente, 65,5, e a mundial, 46.Tal dado demonstra o efeito de fatores relativos à permanência das desigualdades sociais e a inexistência de políticas preventivas específicas, sendo um importante indicativo da necessidade de se evidenciar o tema. Dessa forma, é necessário que se discuta acerca da gravidez na adolescência no Brasil como forma de avaliar a relação entre as suas razões e possibilitar a redução do número de casos, a fim de sanar as decorrências da mesma.

Primeiramente, sinaliza-se a ausência de políticas preventivas específicas aos adolescentes e jovens em relação à gravidez como um agravante para o cenário, uma vez que medidas como a distribuição gratuita de preservativos não mostram-se eficazes. Isso se dá em razão da omissa educação sexual no país. Ou seja, ainda que a necessidade de prevenção seja amplamente divulgada, faltam ações educativas que proporcionem conhecimento prático, como por exemplo sobre a correta utilização dos preservativos e métodos auxiliares como o conhecimento do ciclo menstrual e do período fértil.

Ademais, indica-se a vulnerabilidade oriunda da notáveis desigualdades entre as classes sociais do país como um aspecto determinante para a preservação da situação. Tal condição pode ser exemplificada pelo elevado índice de evasão escolar de jovens mães, decorrente da falta de preparo do ambiente educacional para atendê-las e da dificuldade de conciliar os estudos e a nova rotina. Assim, devido à menor qualificação, o acesso ao mercado de trabalho e à consequente possibilidade de ascenção social são dificultados, o que resulta na persistência da situação de instabilidade e favorece o ciclo da desigualdade.

Diante disso, portanto, são necessárias condutas preventivas que objetivem melhorias a partir dos âmbitos informativo e educacional. Por isso, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde devem realizar a implementação de palestras semestrais em escolas, para estudantes do ensino médio, visto que encontram-se na faixa etária considerada pela média internacional. Essas devem ser realizadas por profissionais da saúde e oferecer conhecimentos úteis relativos à prática sexual, a fim de reduzir a preocupante taxa. Outrossim, o Ministério da Educação deve exigir que governos estaduais e municipais adaptem escolas para favorecer a permanência das jovens atingidas, como a qualificação de seus profissionais para possibilitar maior entendimento e motivação e a criação de uma sala específica para crianças em fase de amamentação, reduzindo as taxas de evasão escolar.