Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

Sob a égide literária, nota-se que a trama do seriado americano “16 And Pregnant” - Grávida aos 16 -  baseia-se em fatos reais, em formato de documentário, e busca expor aos espectadores uma visão acerca dos riscos envoltos na maternidade precoce. Em contrapartida, nos tempos hodiernos, é nítido que as ampliações dos casos de gravidez na adolescência ainda são perpetuadas no Brasil, sendo válido analisar os efeitos dessa problemática.

Seguindo essa visão, é primordial elencar que a conjuntura preconceituosa, imposta pelo patriarcalismo, impulsiona a manutenção do problema. Com ênfase, há um cerceamento nas rodas de famílias quando o assunto é sexualidade dos jovens, uma vez que existe uma tradição conservadorista em resguardar a mulher, por exemplo. Tal realidade corrobora com a visão compartilhada de que a gravidez precoce é motivo de vergonha e condenação, o que legaliza o assunto como tabu.

Dessa forma, as causas para dada situação encontram-se em fatores histórico-culturais. Posto que a prevalência de gravidez na adolescência é concentrada em classes mais pobres, a desigualdade social é prepoderante nesse processo. Diante disso, é notório que a escassez de ações que tratem a questão com uma abordagem psicossocial aos adolescentes nas áreas, sobretudo, periféricas, favorece a promoção de uma cultura de baixa informação ao tema nesse tecido social. Com efeito, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 44,2% das meninas grávidas de 15 a 19 anos pertencem à faixa de renda familiar per capita de até meio salário mínimo.

Nesse contexto, consoante à óptica de Hannah Arendt, renomada filósofa alemã, em “A Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e comum. Esse pensamento pode ser referenciado à omissão escolar no que concerne a temática em questão, já que a ausência de uma educação sexual adequada intensifica, inclusive, o desconhecimento acerca das formas de proteção e dos riscos que uma gravidez na juventude pode gerar, o que faz necessárias mais medidas para reverter esse campo.

Impende, pois, que a questão da gravidez na adolescência precisa ser revisada. Portanto, o Ministério da Educação deve exigir das escolas negligentes, por meio de premiações às que cumprirem a exigência, a explanação social, através de produções culturais, e o debate desse tema, com profissionais capacitados na área, a fim de contribuir e demonstrar engajamento ao fim dessa realidade. Outrossim, é necessário que as instituições formadoras de opinião, escolas e famílias, promovam, em uma ação conjunta, uma cultura de informação relacionada à sexualidade dos jovens, por meio do diálogo, do exemplo, e de aulas de Sociologia que abordem o tema e suas implicações, com o objetivo de repudiar o tabu envolto no âmbito social acerca da gravidez precoce.