Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/05/2018
No livro “A História da Sexualidade” de Michel Foucault, o autor francês critica a sociedade do século XVIII pela repressão sexual, visto que o sexo se reduzia a sua função reprodutora e o prazer obtido por ele era duramente negado e reprimido. Mesmo após quase três séculos, a sociedade atual se comporta de maneira semelhante àquela criticada por Michel e devido à falta de debate sobre o tema os jovens permanecem leigos em relação ao assunto, mesmo que estes estejam na “era da informação”. Diante disso, a principal consequência que vem preocupando a saúde pública do mundo é a gravidez na adolescência.
Defronte de tantas crenças e tabus o papel das instituições de ensino fica limitado, assuntos como o sexo são evitados ao máximo dentro das escolas, isso porque os professores temem as reações dos pais ao saberem que assuntos como esse estão sendo comentados com seus filhos. Com isso, diversas são as propostas de leis dentro das Câmaras Municipais que visam proibir a educação sexual dentro das escolas, como o projeto do vereador Paulo Siufi que foi recentemente aprovado em Campo Grande.
Dessa forma, se para Nelson Mandela, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1993, “a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo”, para a sociedade essa importante ferramenta é esquecida. Por isso, não é à toa que, mesmo com tantas informações à fácil acesso, os jovens permaneçam na ignorância de praticarem relações sexuais sem preservativo. Consequentemente, além de permitir a propagação de doenças sexualmente transmissíveis, aumenta o número de gravidez prematura, já que de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 20% das crianças nascidas em 2010 eram filhos de adolescentes.
Em vista disso, é necessário que o Ministério da Educação inclua nas grades escolares a educação sexual, através de aulas práticas sobre o uso dos métodos contraceptivos e também por meio de pesquisas e projetos escolares que auxiliem os jovens a debater sobre planejamento familiar. Ademais, é papel do Ministério da Saúde promover campanhas midiáticas que mostrem as consequências das relações sexuais sem preservativo, para que os jovens fiquem informados sobre o assunto e os pais se sintam influenciados a debater sobre o tema com seus filhos. Por fim, o Governo Federal, em parceria com as universidades de psicologia, deve oferecer amparo emocional para que as jovens que engravidaram precocemente não passem por problemas psicológicos como a depressão pós-parto.