Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

É de James Baldwin, escritor americano imortalizado pelo documentário “Eu não sou negro”, indicado ao Oscar 2017, o aforismo: “Nem tudo que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”. Nessa perspectiva, para modificar o atual cenário de gravidez na adolescência, Poder Público e coletividade devem unir forças para enfrentar não só a desigualdade social, mas também a falta de diálogo e de orientação sexual nessa fase cheia de descobertas.

As meninas que engravidam na adolescência são, na maioria dos casos, pobres e têm menos escolaridade, de acordo com o IBGE. Prova disso, segundo dados do Sinasc ( Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos), é o maior índice de mães adolescentes na região nordeste, uma das regiões pouco desenvolvidas economicamente do país. Nesse sentido, diferente das meninas de classes mais favorecidas, as adolescentes em situação de vulnerabilidade não têm uma educação de boa qualidade, que permita criar expectativas em relação ao futuro. Assim, sonhos e planos como viajar, entrar em uma faculdade, conhecer outras culturas e pessoas dão espaço para o papel social que lhes resta: o de ser mãe.

Além disso, a escassez de diálogo com esses adolescentes corrobora para uma gravidez não planejada. Isso acontece porque muitos pais sentem vergonha em falar sobre sexo com seus filhos, pensam que ao alertar estariam estimulando a prática sexual ou até mesmo pelo fato desses responsáveis também não terem tido orientação adequada quando jovens. O resultado disso são adolescentes que acabam obtendo informação por meio de amigos, namorados e acabam vendo, na prática, as consequências do sexo desprotegido. Desse modo, como a adolescência é uma fase de transformações, curiosidades e descobertas, a orientação sexual adequada é fundamental para suprir essa demanda.

Urge, destarte, que medidas sejam tomadas em prol da igualdade social e do diálogo. Para isso é papel do Estado, através dos Ministérios da Cultura, da Educação e do Esporte, implementar eventos culturais, cursos técnicos e práticas esportivas em locais com maiores índices de pobreza, como periferias e favelas, com o objetivo de oferecer uma melhor perspectiva de futuro aos adolescentes. Ademais, a comunidade escolar deve promover rodas de conversas, preferencialmente aos finais de semana, entre pais e alunos do ensino fundamental e médio, com a presença de ginecologistas e psicólogos, com  a finalidade de facilitar o diálogo no ambiente familiar e orientar sobre a importância de previnir doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Só assim se fará o enfrentamento necessário para mudar o atual cenário brasileiro de gravidez na adolescência.