Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/05/2018
“Aos 13 casava-se, aos 15 gerava filhos, aos 20 estava no auge e posterior decadência de sua vida”. Essa frase expressa o pensamento de Roberto da Matta a respeito das mulheres no Brasil Escravo e evidencia a patriarcalidade da sociedade brasileira, na qual as mulheres são vistas como ventres geradores. Esse pensamento patriarcal foi perpetuado e molda a sociedade contemporânea. Nela, ainda é um ultraje adolescentes receberem educação sexual ou falarem sobre sexo e ter o direito de escolha entre ter ou não um bebê.. Essa ignorância faz com que a gravidez adolescente continue em alta no Brasil.
A priori, o acesso à educação no Brasil passou por inúmeros entraves, dentre eles temos o destaque para a educação feminina, que foi negligenciada devido ao papel social de dona do lar e mãe atribuídos à mulher. Dessa forma, os altos índices de gravidez adolescente ainda estão associados à história da sociedade brasileira. Logo, é um processo lento para atribuir a figura feminina papeis diferentes do materno e dona de casa. Sendo assim, com toda a carga de preconceito histórico e cobrança social, a mulher tem dificuldades para educar-se e principalmente para adquirir uma educação sexual. Essa é indispensável para obter informações sobre a sexualidade e maneiras de prevenir-se de doenças e gravidezes indesejadas.
Ademais, apesar de ser uma sociedade laica, no Brasil, a gravidez é regida por certa religiosidade e por isso o aborto ainda é ilegal. Logo, adolescentes desesperadas por engravidarem buscam alternativas para abortar, colocando sua saúde em risco. Isso acarreta o aumento de morte materna. Outrossim, o corpo feminino na adolescência ainda não está totalmente preparado para receber uma gestação, contribuindo também para os altos índices. Dessa forma, dar apoio psicossocial as adolescentes, permitindo que elas possam escolher entre ter ou não o bebê.
Em suma, é necessário tratar a gravidez na adolescência como um fato social e um caso de saúde pública. Para tanto, cabe ao Governo Federal e ao Ministério da Educação em ação conjunta com o CNP (Conselho Nacional de Psicologia) realizar campanhas e palestras que visem à conscientização da sociedade quanto ao que é uma gravidez na adolescência e o que ela pode acarretar na vida das mulheres. Além disso, pode incluir a educação sexual nas escolas. Essa ação teria o intuito de desmistificar a gravidez, ao mesmo tempo em que educa os jovens para a vida sexual. Ademais, é preciso ter ciência que o aborto é um caso de saúde pública e merece ser tratado como tal. Logo, é válido que o Poder Legislativo pondere sobre a legalidade do aborto, permitindo que as jovens grávidas tenham uma opção segura para abortarem. Logo, a patriarcalidade dara lugar a efetiva liberdade.