Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/05/2018

A adolescência, período que compreende dos 10 aos 19 anos, é marcada por uma série de alterações hormonais e psicológicas responsáveis por mudanças no comportamento do indivíduo, como o início da atividade sexual, por exemplo. Contudo, a prática de sexo sem segurança por jovens dessa faixa etária é fator determinante para um problema de saúde pública que afeta milhares de garotas no Brasil, a gravidez precoce. Nesse sentido, deve-se analisar como fatores socioeconômicos aliados à falta de educação sexual nas escolas atuam na problemática em questão no Brasil.

A priori, deve-se analisar como a desigualdade social exerce papel fundamental na questão. Segundo dados da ONU do ano de 2017, no Brasil, cerca de 70% das mães adolescentes são de famílias com baixa renda, e três em cada cinco jovens não estudam e nem trabalham. A pobreza e a pouca escolaridade geram nessas jovens mães poucas expectativas a respeito de um futuro profissional, que, dessa forma, passam a enxergar a maternidade como um fator de inserção social, mais relacionado ao aspecto de reconhecimento e respeito da figura materna do que ao desempenho que esse papel traz.

A posteriori, pode-se observar como a pouca educação sexual nas escolas influencia na questão. Vista como um tabu por camadas conservadoras da sociedade, a educação sexual muitas vezes é negligenciada por ser entendida como um fator de estimulo à prática sexual. Desse modo, muitas crianças e adolescentes não tem o acesso devido às informações necessárias para a conscientização de sua própria sexualidade, ficando expostas aos riscos de abusos, doenças, gravidez precoce e a falsas informações divulgadas na internet. Assim, muitas jovens ao praticarem o ato sexual sem proteção correm o risco de engravidar, uma vez que, não possuem informações detalhadas e importantes sobre o assunto.

Torna-se evidente, portanto, que a desigualdade social e a falta de políticas de educação sexual nas escolas são fatores determinantes na problemática da gravidez na adolescência. Nesse sentido, cabe ao Poder Executivo, através do Ministério da Educação, a criação de escolas de ensino básico e técnico em regiões periféricas e de baixo IDH, visando proporcionar educação aos jovens e aumentar suas expectativas a respeito do futuro profissional, estimulando, indiretamente, o planejamento familiar. Cabe ao Poder Legislativo, através do Congresso Nacional, a criação de uma lei que determine a educação sexual como componente curricular da educação básica, visando, dessa forma, o ensino sobre sexualidade nas escolas desde a infância, formando jovens conscientes.