Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

Até meados do século XX, o casamento e a gravidez precoce eram práticas comuns na sociedade brasileira e não alertavam os órgãos públicos. Com a revolução sexual - implementação de métodos contraceptivos - e a emancipação feminina no contexto social, tornou-se corriqueiro o planejamento familiar. No entanto, o elevado número de adolescentes engravidando revela a falha familiar e do sistema público em proporcionar esclarecimentos a respeito do sexo desprotegido. A falta de conhecimento, as dificuldades de permanência escolar e adentramento no mercado de trabalho e a terceirização da responsabilidade dão contornos à gravidez na adolescência no Brasil.

Em primeira instância, destaca-se a falta de conhecimento dos jovens a respeito do uso de contraceptivos, principalmente os hormonais como : pílulas de uso contínuo e contraceptivos de emergência. Segundo os Cadernos de Saúde Pública, cerca de 98% dos adolescentes apresentam conhecimento abaixo do esperado sobre o assunto. As práticas sexuais de risco e a iniciação precoce na vida sexual, em consonância com as condições precárias de estudo e acesso à informação sobre o uso de contraceptivos são fatores condicionantes à gravidez não desejada, principalmente entre jovens.

Bem como, após o parto, vê-se outras dificuldades como o retorno à vida social e profissional. Em sua maioria, os jovens abandonam os estudos regulares ou profissionalizantes em decorrência da gravidez e passam, então, a possuírem problemas para adentrar no mercado de trabalho qualificado. Em meninas, segundo o Ministério da Educação, a gravidez precoce é motivação para mais de 20% da evasão escolar. Os fatores são inúmeros como a vergonha da condição, a falta de apoio familiar, a necessidade de se buscar o sustento e até mesmo o desencorajamento por parte do parceiro.

Do mesmo modo, a falta de cuidado durante a relação sexual afeta o adolescente em outros âmbitos. A gestação, na maioria dos casos, não foi planejada e traz, principalmente para a jovem, consequências como o abandono do parceiro, o afastamento de grupos de convivência, a discriminação e a urgência do amadurecimento prematuro. Dessa forma, frequentemente, a falta de preparo condiciona os avós da criança a assumirem a responsabilidade pelo sustento, cuidados e educação.

Os altos índices de gravidez na adolescência no Brasil é, portanto, fruto da instabilidade e carência de diversos âmbitos sociais. Dessa forma, vê-se necessário a adoção de medidas capazes de amenizar a problemática. Cabe ao Ministério da Educação, com o auxílio das prefeituras, a implantação de aulas extras direcionadas à educação sexual para os adolescentes e também pais e responsáveis. Visando à desmistificação do estigma, convém dar-se instruções sobre o uso correto de contraceptivos orais e camisinhas, bem como ensinamentos sobre período fértil, gestação e o incentivo as práticas seguras.