Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/05/2018

Na década de 1960, a urbanização, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e o acesso aos métodos contraceptivos contribuíram para a diminuição da taxa de fecundidade entre as mulheres brasileiras. No entanto,nas últimas décadas, contrariando a tendência de declínio nos índices de fertilidade no país, o Brasil apresenta as taxas mais expressivas de gravidez precoce que os demais países latino americanos. Nessa perspectiva, deve-se analisar como a desigualdade socioeconômica e a falta de uma política eficaz de planejamento familiar têm sido alicerces dessa comum problemática no contexto sociocultural do país.

Nesse prisma , é possível afirmar que a desigualdade socioeconômica é um dos principais paradigmas responsáveis pela intensificação dessa problemática. Isso decorre da teoria Neomalthusiana que preconizava a difusão de medidas governamentais para conter o crescimento da população, principalmente, nos países subdesenvolvidos. As regiões norte e nordeste, por exemplo, apresentam as mais expressivas taxas de gravidez na adolescência em decorrência da forte desigualdade existente nessas localidades. Por consequência disso, a média de filhos por mulher tende a ser mais expressiva que as demais regiões brasileiras.

Além disso, nota-se, que a ineficiência no planejamento familiar é um fator intensificador desse impasse. Isso acontece porque, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de diálogo é característica da ‘‘modernidade líquida’’ vivida no século XXI. Percebe-se que a falta de comunicação familiar sobre temas como, por exemplo, a sexualidade, deve ser inserida no dia a dia dos jovens, já que a sociedade civil atual possui uma libertinagem maior do que os antepassados. Haja vista que a adolescência é um período de afloração hormonal e transformações corporais que resultam no intenso desejo sexual e, caso este jovem não tenha sido devidamente orientado e instruído, ocorrerá como consequência a gravidez indesejada.

Torna-se evidente, portanto, que a gravidez precoce deve ser analisada e contida. Em razão disso,  o Ministério da Saúde em parceria com o Governo do Estado devem investir na realização de campanhas publicitárias de educação sexual em municípios carentes. Essa didática tem por objetivo orientar instruir a população sobre os métodos contraceptivos e assim reduzir o índice de natalidade. Ademais, cabe as escolas juntamente com o auxílio de psicólogos promoverem palestras que direcionem os pais em como dialogar sobre sexualidade com seus filhos. Dessa forma, permitir que os jovens e adolescentes tenham acesso a todas informações e mantenham relações sexuais de forma consciente.