Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 12/05/2018

Para o ativista indiano Mahatma Gandhi, um dos sete pecados sociais é o prazer sem consciência. Tal declaração permite-nos refletir acerca do aumento do número de adolescentes grávidas no Brasil, mesmo com o maior acesso da população à métodos contraceptivos. Nesse contexto, há dois fatores que devem ser levados em consideração no que tange ao problema: a falta de informação sobre o assunto e a influência midiática.

Em uma primeira análise, é válido salientar que o crescimento da gravidez precoce ocorre, entre outros fatores, devido a desvalorização da educação sexual na sociedade. Embora haja a criação de ONG’s ( Organizações não Governamentais) e políticas públicas, como o Programa Saúde na Escola (PSE) que debatem temas de grande relevância social, tais medidas ainda não se mostraram tão eficazes e abrangentes, principalmente devido à mentalidade retrógrada persistente no tecido social brasileiro que conversar abertamente sobre o assunto é um incentivo para os jovens tornarem-se sexualmente ativos. Assim, como consequência, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas, 7,3 milhões de adolescentes tornam-se mães por ano no mundo. Desse modo, é imprescindível a mudança na concepção das pessoas para que o impasse seja resolvido.

Outro aspecto a ser considerado representa a participação direta da Mídia, como formadora de opinião, na padronização de comportamentos, entre, eles o culto ao hedonismo, engajando os jovens a iniciarem relações sexuais muito cedo. Conforme uma pesquisa realizada pela Academia Americana de Pediatria, adolescentes expostas a conteúdos sexuais, seja por meios televisivos ou na Internet, possuem duas vezes mais chance de possuir uma gravidez indesejada do que aquelas que não possuem acesso ao meio. Dessa forma, é evidente que a banalização do sexo, principalmente sua representação pouca segura, favorece a ocorrência da problemática.

A fim de que se reverta os altos índices de gravidez precoce, portanto, é pertinente a atuação do Ministério da Saúde e da Educação no reforço de campanhas e debates através do fortalecimento de programas como o PSE para orientar a população em lugares públicos, como praças e postos de saúde, evidenciando os riscos para a adolescente e a criança, bem como na explicação de como funcionam os métodos contraceptivos e como usá-los. Soma-se a isso, o incentivo aos pais e familiares a participarem mais da vida sexual dos filhos, oferecendo-lhes diálogos saudáveis sobre o assunto e também no controle dos conteúdos acessados pelos filhos, evitando a manipulação comportamental da Mídia. Espera-se que, assim, a mentalidade retrógrada não mais prevaleça e o prazer sem consciência, citado por Gandhi, deixe ser um dos sete pecados sociais.