Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/05/2018
A popularização do funk carioca trouxe à tona um problema que não se concentra somente nesse universo, mas no Brasil inteiro, que é a incidência cada vez maior de gravidez na adolescência. Diante disso, é necessário analisar fatores como a cultura de sexualização precoce, os prejuízos dessa situação para a mãe, filho e sociedade e as dificuldades em estabelecer diálogo com adolescentes sobre o assunto.
É indiscutível que o comportamento de crianças e adolescentes vem mudando com o passar das gerações. Conforme estudo da psicóloga da USP Ana Olmos, crianças são expostas cada vez mais cedo e a mais conteúdos inadequados na mídia, como cenas de sexo em horário nobre, maquiagens para meninas e músicas com conteúdo depreciativo envolvendo mulheres. Nesse contexto, a infância é encurtada e atitudes de adultos tomam lugar de brincadeiras, segundo Olmos.
Outro ponto importante é o alto risco de uma gravidez precoce para a mãe e para o filho. Consoante a afirmação do médico Drauzio Varella, adolescentes são cinco vezes mais propensas a terem hipertensão e diabetes gestacional, o que põe em risco a vida dela e do bebê. Além disso, dados do Ministério da Saúde apresentam uma correlação entre filhos de mães adolescentes e vulnerabilidade social, como baixa renda, criminalidade, desestruturação familiar e menor escolaridade, fatos que geram enormes impactos no desenvolvimento do país.
Apesar do importante papel da escola na educação sexual de crianças e adolescentes, já que pais e filhos se sentem constrangidos em falar sobre sexo, Olmos diz que diretores acreditam que, ao disponibilizar a disciplina na grade curricular, estariam estimulando o comportamento sexualizado. No entanto, a psicóloga reitera que a maior parte das gravidezes precoces ocorre justamente pela falta de conhecimento acerca da prevenção, ademais, estatísticas do Ministério da Saúde mostram que cerca de 50% dos alunos que se formam no ensino médio já praticaram sexo. Nesse sentido, a ideia de abstenção do ato não é eficaz e a falta de conhecimento acerca do assunto piora o quadro, em concordância com a psicóloga.
Portanto, é evidente a complexidade dessa ocorrência social, o que demonstra uma necessidade de avaliação por diferentes ângulos e considerações, já que envolve família, escola e Estado. Por isso, é primordial que haja por parte dos pais a tentativa de abordar o assunto, pois, cabe à família transmitir valores aos jovens. Ademais, é incumbida à escola a tarefa de apresentar temas para os quais é competente, como anatomia, métodos contraceptivos e consequências para a saúde e para vida da mãe adolescente, a fim de prevenir novos casos e, dessa forma, diminuir a ocorrência desse quadro.