Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

Em suas Memórias Póstuma, Brás Cubas, personagem Machadiano, declara que não teve filhos e, por isso, não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Atualmente, os altos índices de gravidez na adolescência refletem um problema de saúde pública, perpetuado tanto pela falta de informações eficientes quanto pelo meio social que os púberes estão inseridos.

Primordialmente, a escassez de um diálogo aberto sobre sexualidade continua sendo um empecilho para a redução da gravidez na adolescência. Visto que, são pouco os projetos nas escolas que tratam do assunto, já que ainda se perpetua a crença que falar sobre sexo em sala de aula irá estimular a prática do ato, consequentemente, a falta de informação faz com que os jovens se coloquem em situações de risco, como manter relações sexuais sem camisinha e o desconhecimento na prática dos métodos contraceptivos. Dessa forma, o aumento na taxa de gravidez de meninas de 15 a 19 anos acaba sendo inevitável, como mostra os dados da Organização Mundial da Saúde, no qual a acaba mil gestantes mais de sessenta e oito são púberes, ratificando que medidas profiláticas devem ser tomadas.

Por outro lado, o grupo social que muitos dos adolescentes estão inseridos colabora para a gestação precoce. Tendo em vista que, segundo uma visão determinista o meio acaba influenciando o comportamento do indivíduo, assim ao estar inserido em um circulo de amizade, no qual todos os integrantes já iniciaram a vida sexual, o adolescente se sente coagido a imitar os demais para não ser excluídos ou alvos de chacotas, contudo, nem sempre os devidos cuidados são tomados. Ademais, a mídia também é responsável por esse problema de saúde pública, uma vez que, as telenovelas e as séries apresentam um apelo sexual exacerbado, levando, muitos a imitarem o comportamento de seus ídolos.

A gravidez na adolescência continua sendo uma realidade constante em nossa sociedade. Para que haja mudanças, as Escolas poderiam informar os indivíduos, por meio de palestras e debates com profissionais da saúde, com a finalidade de promover os direitos, a autonomia e o empoderamento de adolescentes e jovens, em especial as meninas, em relação ao exercício de sua sexualidade e de sua vida reprodutiva, para que possam tomar decisões voluntárias, sem coerção e discriminação e, dessa forma, a longo prazo ocorre uma redução gradual das gestações precoces. E assim, seguir por hora o pensamento de Brás Cubas.