Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/05/2018
A Revolução Sexual, na década de 1960, apresentou ao Brasil uma nova concepção comportamental sobre sexualidade. Nesse cenário, o surgimento dos métodos contraceptivos fomentou a redução da maternidade precoce brasileira. Entretanto, quando se observa 431 mil nascidos, em 2016, de mães com até 17 anos, verifica-se o agravamento da miséria, desigualdade e exclusão social no país. Com isso, surge o desafio de combater a gravidez juvenil, seja pela intervenção escolar; ou seja pelo ensino familiar.
É indiscutível que a aprendizagem sobre sexualidade nas instituições de ensino esteja entre as causas do problema. Nesse ínterim, nota-se a falta de planejamento didático destinado à orientação dos jovens sobre corpo e fertilidade, com professores desqualificados para o desenvolvimento do referido tema. Com isso, principalmente, a juventude periférica fica à mercê de relações desprotegidas, o que resulta em gravidez indesejada por invisibilidade de informações contraceptivas. Logo, evidencia-se que a escola torna-se importante fonte de conhecimento no campo da sexualidade e da contracepção.
Outrossim, destaca-se a lenta mudança de mentalidade social como impulsionadora do impasse. Segundo Émile Durkhein, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exteriori-
dade, coercitividade e generalidade. Seguindo essa linha de pensamento, a gravidez na adolescência encaixa-se na teoria do sociólogo, pois a literatura indica que os filhos tendem a repetir a história reprodutiva da família, como exemplo, as mães de muitas jovens grávidas também foram gestantes pre-
cocemente. Assim, o fortalecimento de mães prematuras , transmitido de geração a geração, causa o acentuamento do problema social.
Entende-se, portanto, que a maternidade precoce é fruto de uma parcela de jovens desinformados somada ao espelho familiar na contemporaneidade. Assim, é imperativo que o Ministério da Educação integre os professores da rede pública em cursos que resultem na capacitação profissional, para trabalhar com os alunos aulas mais eficazes à temática de sexualidade. Ademais, aos agentes do Programa Saúde da Família cabe a organização, periodicamente, de debates recreativos em comunidades, a fim de alertar as mães de jovens da importância de se evitar uma possível gravidez na adolescência. Desse modo, o país diminuirá, paulatinamente, seu grau de desigualdade social.