Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 11/05/2018
É inegável que a maternidade precoce, no Brasil, ocasiona inúmeros problemas na sociedade, tais como o aumento do índice de adolescentes sem mão de obra qualificada e o sobrecarregamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Porquanto a maior parte dos casos são reflexos de um sistema social repleto de tabus e ausente de uma estrutura educacional pública eficiente.
Comumente vê-se nas cidades menos assistidas pelo Governo brasileiro, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país, a presença de adolescentes que, devido à gravidez, ausentam-se dos estudos e atividades comuns a essa faixa etária. Segundo o “site” G1, cerca de 75% das adolescentes brasileiras, que são mães, estão fora das escolas. Isso pois a responsabilidade com um filho exige que elas, devido às baixas condições de renda, tenham que procurar empregos para manter o filho financeiramente além dos cuidados básicos, por exemplo a amamentação, consequentemente a sua mão de obra é, majoritariamente, desqualificada, devido ao abandono das atividades escolares.
Além desse aumento na falta de qualificação profissional, a gravidez na adolescência gera um sobrecarregamento no Sistema Único de Saúde (SUS), visto que as adolescentes, em sua maioria, por não terem estabilidade financeira nem empregos com inclusão de plano de saúde, são direcionadas ao SUS para o acompanhamento da gestação assim como a realização de exames, parto, cuidados com o bebê e com a mãe. Esta, biologicamente, encontra-se preparada para uma gravidez somente após a menarca, contudo, psicologicamente as adolescentes não estão prontas para tal responsabilidade, dessa forma vários problemas podem ser desenvolvidos no individuo, devido à falta de visibilidade e discriminação que sofre por parte da sociedade individualista, para o filósofo Lipovetsky o hiperindividualismo presente na atualidade potencializa o aumento da depressão e até do suicídio, em vista disso, a situação de desprezo que as jovens mães sofrem pode ser crucial para o desenvolvimento de doenças mentais.
Portanto, é evidente que a gravidez precoce no Brasil traz implicações na sociedade, por isso a redução dos índices desse problema deve ser efetivada. Para tal, é de suma importância que o Governo juntamente com as mídias, desenvolvam propagandas de conscientização sobre o uso de contraceptivos e as suas disponibilidades gratuitas nos postos de saúde, veiculadas nas redes de tv e redes sociais, dessa forma atingirá grande parte da população brasileira. Além disso, as escolas de nível fundamental e médio devem proporcionar horários para que os professores desenvolvam cartilhas e palestras sobre orientação sexual e as suas consequências, alem da disponibilização de preservativos para o ensino médio. Dessa forma é possível a redução de grávidas precoces no SUS.