Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/05/2018

A escritora Evaristo Conceição – conhecida por retratar assuntos de cunho social – destaca no conto “Quantos filhos Natalina teve?” o entrave relacionado à gestação antecipada. À vista disso, não só a personagem Natalina, mas milhares de jovens brasileiras vêm vivenciando esse impasse no cotidiano: a gravidez na adolescência é uma realidade no Brasil. Nesse contexto, há dois fatores que não devem ser negligenciados, como a ineficiência governamental e a imprudência dos jovens.

Primeiramente, é importante destacar que o Estatuto da Criança e Adolescente garante a educação e saúde aos menores. No entanto, o Poder Executivo não realiza esse direito integralmente na prática. Infelizmente, a existência da maternidade prematura no Brasil é, dentre outros fatores, um reflexo da negligência aos investimentos das principais áreas da sociedade. Desse modo, nota-se que esse conceito se encontra corrompido ao passo que não apenas a educação sexual é ainda pouco debatida nas instituições de ensino, como também há uma escassez de campanhas no combate à gestação precoce por parte dos postos de saúde e hospitais. Com efeito, é inaceitável a continuidade da inibição desses direitos, visto que, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, aproximadamente 20% das crianças nascidas no Brasil são filhos de mães menores de 18 anos.

Outrossim, parcela da problemática enfrentada compete, também, ao comportamento atribuído pelos jovens. Consoante ao sociólogo Zygmunt Bauman, no livro “Amor Líquido”, o ser humano contemporâneo apresenta relações sociais fluidas que se resumem em laços momentâneos, frágeis e volúveis. Sob essa óptica, acrescentando nesse fato o temperamento juvenil, designado pela imaturidade e irresponsabilidade, a resultante de uma gravidez imatura torna-se propícia. Assim, é imperativa a existência de mudanças nos valores sociais para que a maternidade adiantada seja dirimida no Brasil.

Fica claro, portanto, que a gravidez na adolescência é um problema social e, por isso, deve ser combatida. Cabe ao Ministério da Educação, em conjuntura ao Ministério da Saúde, criar um projeto de extensão nas instituições escolares o qual promova palestras e seminários que informem os indivíduos sobre os métodos contraceptivos e os empecilhos de uma gravidez antecipada. Essa ação terá como finalidade a diminuição da maternidade precoce através da desenvoltura do senso crítico dos menores. Ademais é imperativo que os indivíduos reflitam e discutam sobre a vida sexual dos mais novos no âmbito familiar, pois esse relacionamento é necessário para o reforço da conscientização. Desse modo, os meios de comunicação social, como a televisão e o rádio, poderão auxiliar essa atividade com a adequação desse tema em programas, novelas e filmes.